Archive for the Textos sobre cultura Category

Rever e ouvir Itamar Assumpção.

Posted in Textos sobre cultura on abril 15, 2014 by babilakbah

Rever e ouvir Itamar Assumpção.

Imagem

Sempre bom rever e ouvir Itamar Assumpção, sua figura emblemática, sua fala grave cheia de sabedoria e radicalidade.
Há dias, medito sobre as falas de Assumpção que ele proferiu no Programa Ensaio, não precisamente nessa ordem com está nesse escrito.
Mas vamos direto ao ponto. O autor de Beleléu, diz: aqui no Brasil as pessoas ficam dizendo que são brancas, eu estive na Alemanha lá vi o que é ser branco, aqui todos são mestiços. Depois tive a oportunidade de ir África, e lá vi tudo preto, e eu não estou acostumado com isto. E conclui: meu olhos sentem necessidade da diversidade.
E o programa vai seguindo com Assumpção fazendo revelações maravilhosas sobre a vida e sua visão de mundo.
Aborda sobre a família, a relação com pai, seu encontro com o candomblé, a influencia dessa religião em sua musica e transcorre por outros assuntos duros e outros bons de se ouvir.
Dentre as inúmera pérolas que Itamar despeja no programa:
Ele diz: tem alguns que não tem esta coisa da harmonia e outros, o lance é o ritmo, a batida forte.
Minha musica é esta onda de ritmo sobreposto, não tem uma classificação: não faço samba, samba eu deixo para Paulinho da Viola e Martinho da Vila.
Não tenho esta necessidade de buscar as minhas origens.
Saber que meus ancestrais vieram da África isto já me basta.
Eu não tenho esta preocupação de ficar rico a qualquer custo, minha preocupação é realizar a minha missão de ser artista – minha musica já me dá muito trabalho.
Há dias estas palavras me desarmonizam – fazendo-me pensar com a identificação.

Babilak Bah.

Johnny Herno – na Malasia

Posted in Textos sobre cultura on abril 14, 2014 by babilakbah

Imagem

O Homem Mitológico – a forma como eu gosto de defini-lo, o amigo, Johnny Herno musico talentoso e de uma personalidade extraordinária. Mostrar seu talento em um festival na Malásia. Sucesso camarada e boa vibrações.
Confira o talento do Johny Herno: http://palcomp3.com/johnnyherno/

Banda de cá, banda de lá – Umbanda para crianças.

Posted in Textos sobre cultura on abril 3, 2014 by babilakbah

Banda de cá, banda de lá – Umbanda para crianças.

Imagem

 Ontem tive a felicidade de ganhar alguns livros, entre os demais veio um livro infantil que me chamou bastante atenção. Trata-se do livro: Banda de cá, banda de lá – Umbanda para crianças – de Mariana Ramos de Morais a autora apresenta, de forma poética, a umbamba para as crianças. O livro brinca com as palavras mostrando o sincretismo presente nessa religião afro-brasileira. Num clima alegre, lúdico, e assim, evoca as sete linhas de umbanda que iluminam o Juremá. Composto por versos livres, numa narrativa que parece cantiga de roda. Outro detalhe riquíssimo do livro é a ilustração realizada por Sandra Bianchi que traduz esse universo para as paginas do livro com muita poesia e cor. Esta graciosa obra da literatura infantil, é uma ótima pedida para quem deseja apresentar aos filhos a diversidade da cultura brasileira e apresentar ao mundo infantil um tema tão complexo e cheio de tabu dentro da escola tradicional que é a temática da religião afro-brasileira.

Por fim, o livro conta com um glossário referente ao universo religioso da umbanda, creio, que as crianças, pai e educadores vão fazer uma festa na leitura dessas palavras e um novo mundo nascerá na imaginação de nossas crianças.

O livro Banda de cá, banda de lá – Umbanda para crianças conta com apoio da Lei Municipal de incentivo a Cultura de Belo Horizonte.

Laroiê Exu¡ a informação chegando para os erês.

Babilak Bah

Baianas ousadas e mineiros atrevidos criam uma nova paisagem carnavalesca em Belo Horizonte.

Posted in Textos sobre cultura on março 7, 2014 by babilakbah

Baianas ousadas e mineiros atrevidos criam uma nova paisagem carnavalesca em Belo Horizonte.

Imagem

Nesse Carnaval tive a oportunidade de acompanhar a ousadia de alguns blocos e me diverti por inteiro. No entanto, esta minha atitude de folião não me impede de refletir sobre o Carnaval de Belo Horizonte que cresce vertiginosamente e cria muitos adeptos nos quatros cantos da capital. Os blocos imprimem no momento na capital mineira uma alegria que incendeia, estabelecendo uma provocação muito interessante que merece uma reflexão apurada para os que pensam e fazem cultura em BH. Diante de tanta folia, concluo que o meu corpo pensa de forma diferente da minha cabeça: quando estive pulando nada pensei, mas quando parei de rodopiar me veio um bloco de questões que tumultuaram.

O que presenciamos no Carnaval de Belo Horizonte foi um fenômeno de encontros e transformações comportamentais. Confesso que me contagia profundamente ver as ruas da cidade ocupadas por foliões, crianças, músicos, artistas de todas as linguagens e, sobretudo, cidadãos perseguindo a alegria de maneira digna e pacifica de vivenciar a cidade.

Entretanto, quando paro no meio da avenida, pergunto-me: este Carnaval de Belo Horizonte vai desaguar aonde?  Qual será o seu futuro?

Teve situações o que  percebi foi uma reedição de carnavais de outras cidades, mas também percebi um esforço de vários blocos que procuraram dar uma fisionomia belo-horizontina ao Carnaval dentro das montanhas.

Eu me pergunto: será que Belo Horizonte vai criar um repertório para o Carnaval que vem crescendo e se ampliando? Imprimir para o país um novo som carnavalesco para o carnaval brasileiro como o fez os baianos e os pernambucanos? Eu não tenho esta resposta, mas entendo que BH não é Recife nem tão pouco Salvador. Sem sombra de dúvida, há um potencial criativo nesta cidade que pode surpreender o país. Acredito que seja este o desafio da cultura carnavalesca que se ergue na capital das harmonias: criar e estabelecer um novo parâmetro para o Carnaval, avançar no aspecto renovador, mostrar sua diferença, definir suas provocações, transformando comportamentos e atualizando com uma nova sonoridade, eliminar o mito do mineiro tímido e mostrar seu atrevimento criativo, ousado e renovador. Com isto  deixar surgir a mineirice atrevida pelas ruas durante a festa momesca.

Sair pelas ruas de BH e pelas regionais no compasso do samba, ao som de marchinhas e da batida dos afoxés me fez perceber que o sinal foi aberto para o Carnaval implementando inúmeras  possibilidades criativas e empreendimentos. Como se fará esta travessia criativa? Como os artistas vão articular esta possibilidade? Como o poder público vai também viabilizar esta cultura juntamente com a comunidade civil e o movimento artístico, a cada ano, promovendo-a e pautando outros modelos? Fica ai o desafio para toda a comunidade.

Por fim, vejo que não terá mais retorno viver em Belo Horizonte sem carnavais futuros. Daqui pra frente necessitamos de folias dentro de uma perspectiva reivindicativa, plugada com as necessidades sociais da cidade. A população deseja dançar, criar uma cidadania para alegria que ela seja nossa fantasia identitária cada vez mais ousada e atrevida, que venha outros carnavais nos revelar acontecimentos e novos horizontes. Carnavalizar a nossa angustia, estabelecer um estado de alegria é absolutamente a maior subversão.

Babilak Bah

O filme: Dicionário de cama.

Posted in Textos sobre cultura on fevereiro 10, 2014 by babilakbah
Imagem
Dicionário de cama.
Ontem assisti o filme: Dicionário de cama de Guy Jenkin produzindo em 2002) mostra o jovem oficial inglês John Truscott enviado pelo governo britânico ao povoado de Sarawak para ajudar no processo de colonização de um
grupo étnico que vivem nas florestas da Malásia.
A tarefa não é fácil. Os nativos possuem costumes e tradições peculiares e há também a barreira do idioma, incompreensível para o inglês. Como solução, os chefes locais oferecem ao estrangeiro um dicionário de cama que trata-se de uma bela moça que vai lhe ensinar os costumes e a língua local consequentemente, aprender o inglês e os costumes dos ingleses nessa relação vida diária e os prazeres da vida vivido na cama.
Um filme bem interessante, uma passagem do filme me chamou atenção: um chefe diz para o enviado inglês:
- A melhor maneira de se conhecer e aprender uma língua é na cama.
Uma trama romântica, luta política e conflito cultural.
Babilak Bah

Cinco vozes poéticas unidas pela a utopia.

Posted in Textos sobre cultura on janeiro 6, 2014 by babilakbah

Cinco vozes poéticas, unidas pela a utopia.

“Nada sofre tanto quanto a falta de encanto”  Chico Linhares

Imagem

Sob a temperatura da redemocratização da política brasileira ocorrida durante os anos 80, estimulado pela estética da poesia marginal, prática conhecida nacionalmente como movimento mimeógrafo: um exercício poético marcado pelo fazer artesanal, iniciado por poetas que queriam se expressar livremente, buscando caminhos alternativos para distribuir poesia e revelar novas vozes poéticas. O mimeógrafo foi o instrumento fundamental para o desenvolvimento de uma poesia popular que buscava se distanciar do ar canônico da literatura brasileira, bem como do mercado editorial, afirma, Heloisa de Holanda no livro 26 Poetas hoje. Vale ressaltar que o mimeógrafo também fora usado como meio de confecção dessas obras, geralmente poemas e sua circulação era feita numa relação corpo-a-corpo, o poeta e o futuro leitor.Nonato

Nesse período, em joão Pessoa vivia-se uma efervescência cultural a partir da atuação do Musiclube, que propunha uma arte de resistência à ideologia dominante. A produção cultural do Musiclube tinha o propósito de uma autenticidade criadora. Presenciando este contexto, sobretudo, influenciado pelo Jaguaribe Carne, pelo movimentos dos escritores independentes da Paraíba, tendo como articulador o multi–artista e guerrilheiro cultural Pedro Osmar, como o próprio se define, no entanto, atravessado por estes fenômenos culturais, acontecimentos históricos, que eu junto com mais quatro jovens poetas, marcado pela pretensão de sermos criadores de signos, consequentemente, pensadores da cultura que publicamos uma coletânea de poemas produzido em processo mimeógrafo intitulado: “Oi Nós Aqui: no Mercado de Poemas“. não é preciso uma abordagem semiológica para percebermos qual era a nossa intenção, fica explicito no título da coletânea, nosso objetivo, simplesmente chamar atenção para o nosso pensamento poético. De grosso modo, não tão rebuscado, entretanto, foi necessário esta realização, extremamente importante para a conduta dos demais, no sentido da ação em produzir algo que possibilitasse escapulir da inércia, sobretudo da alienação, dessa forma, mostrarmos a nossa provocação, nossa indignação, o nosso desacordo com a sociedade, contudo, com a falta de perspectiva para a juventude, sobretudo, para o universo da cultura. Creio, ainda seja um pensamento vivo nas atitudes dos demais poetas envolvido naquele contexto existencial, político e criativo. Chico Linhares

Cinco poetas com a trajetória totalmente diferente, unidos por suas inquietudes, subjetividades, pela partilha do sensível, de outro modo, tinham como objetivo comungar a visão de mundo, entretanto, separados por suas crenças utópicas e perspectivas ideológicas. Os cinco poetas seguiram no mercado da vida sendo mercadoria da existência, passageiros do trem da história, numa outra perspectiva, construíram suas vidas fora de suas metáforas, para além de outros territórios poéticos e circunstâncias existencial.

Um grupo de poetas que compartilhavam suas ideias, discutiam estética e politica. Tinham a generosidade de dividir a conta do barzinho, disponibilizar discos em vinis, livros que motivavam diálogos e debates eloquentes, defendido a ferro e fogo por cada um. Período bastante interessante e valioso no sentido de buscar o enfrentamento social, afirmação de uma cidadania criativa. Éramos jovens com a vontade de desmontar o mundo. As cincos vozes poéticas que assinaram a coletânea: Oi Nós aqui: no Mercado de Poemas eram nada mais ou nada menos, que:Pedro Jacaraú

Nonato Bandeira: tornou-se um jornalista brilhante, foi presidente da Associação Paraíba de Imprensa (API)  Hoje é o vice prefeito da cidade João Pessoa-PB.

Chico Linhares, formado em economia, trabalha hoje na SUDENE –  Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste. O mais circunspecto, de voz  de pássaro, hoje atua como sindicalista.

Pedro Jacaraú, hoje Pedro Sertão Silva, é Pr. evangélico, responsável por um trabalho de evangelização pelo sertão paraibano, realizando um trabalho social com jovens e com pessoas em situação de vulnerabilidade na Casa da Vida. Coriolando Bandeira

Coriolando Bandeira, o mais identificado com o homem comum, amante de João do Vale e de Patativa do Assaré, é funcionário público, trabalha na câmara municipal de joão Pessoa.

Gilson Cesar, vestiu-se do personagem  Babilak Bah, tornou-se um artista do ruído, arte-educador, andando pelo mundo na difusão de seu trabalho, marcado por uma teimosia incessante.

Por fim, foi um tempo em que o sonho não teve limites, onde cinco poetas  catavam pregos no horizonte e cuspiam versos pela cidade, na esperança de uma sociedade melhor. angustiavam-nos diante da pobreza, pela falta de justiça social, projetávamos uma nova sociedade. E assim, a poesia agregou cinco jovens como se a palavra fosse um credo.Babilak Bah

Babilak Bah

Festival de Arte Negra – FAN 2013

Posted in Textos sobre cultura on novembro 19, 2013 by babilakbah

1espaçp 104 aru dança afro DJ A coisa DSCN7688 DSCN7709 DSCN7785 DSCN7793 DSCN7800 DSCN7831 DSCN7871 DSCN7873 DSCN7874 DSCN7880 DSCN7882 DSCN7885 DSCN7889 DSCN7896 DSCN7900 DSCN7944 DSCN7947 DSCN7958 DSCN7963 DSCN7976 juli 6 Netum LimaEis alguns momentos que consegui capturar durante o Festival de Arte Negra – FAN 2013 que aconteceu em Belo Horizonte.

Uma homenagem ao cangaço…

Posted in Textos sobre cultura on setembro 11, 2013 by babilakbah

Na minha ultima viagem pelo sertão paraibano e Cariri, estive no ateliê do artista Expedito Seleiro,
Grande artesão e criador de peças inusitadas para artistas brasileiros,. Foto que ilustra este post, eu visto uma roupa produzida pelo próprio artesão, quando vesti esta indumentária quis fazer uma homenagem a um cangaceiro do bando Lampião, chamado sabonete.
Tendo o nome de registro de Sabino (Sabino Gomes de Góis, também conhecido por Gomes de Melo e Barbosa de Melo e ainda Gore ou Goa)
Sabonete
Saracura
Sereno.
Na sua maioria os cangaceiros recebiam ou adotavam alcunhas ou apelidos, os chamados “nomes de guerra” que, de uma maneira geral, eram relacionados às suas características pessoais, habilidades ou fatos biográficos.
Existiam os que lembravam a vida de aventuras, marcas de crueldade, coragem, vingança (Jararaca, Besta Fera, Diabo Louro, Lasca Bomba, Pinga-Fogo), assim como os mais telúricos que lembravam elementos da natureza: Beija-Flor, Serra do Mar, Azulão, Asa Branca, Rouxinol, Lua Branca.
As alcunhas serviam para despistar e confundir inimigos e perseguidores. Alguns chefes de bandos do cangaço chegavam até a colocar nos novos companheiros apelidos de cangaceiros mortos em combate. Dessa forma, há muitos cangaceiros que receberam o mesmo nome duas, três e até quatro vezes, como é o caso de Azulão. O primeiro Azulão era integrante do bando de Antônio Silvino, o segundo do bando de Sinhô Pereira, o terceiro e o quarto pertenceram ao bando de Lampião.

Havia também os que não adotavam esse subterfúgio, desafiando o mundo. Bradavam os seus nomes verdadeiros para mostrar valentia.
Segundo consta, o apelido de Virgulino Ferreira da Silva, Lampião era por causa da rapidez com que ele atirava, dando a impressão de um lampião que se acendia.

Ritmofagia da linguagem –

Posted in Textos sobre cultura on junho 3, 2013 by babilakbah

Imagem

Foto: Eduardo Tropia.

Este texto foi elaborado para o Fórum das Letras que acontece na cidade Ouro Preto.

Literatura em Cena:  Rituais, Máscaras, Ritmos de Contato e Narrativas da Origem.

   Primeiramente, boa tarde, retornar a Ouro Preto, sem sombra de duvida é uma Aventura, um prazer sem precendentes. Muito bom estar aqui participando desse forum.

      Quero agradecer pelo convite, há anos eu sonho em participar desse encontro literário de importância internacional para a literatura, sobretudo, para os artista da palavra, amantes e admiradores da boa leitura.

      Ao perceber a importância desse evento, recebo este convite com orgulho, deixando-me extremamente lisonjeado, feliz, orgulhoso da minha trajetória e de meu percurso artístico, ainda tendo a oportunidade de compartilhar minha subjetividade, minha experiência no campo da cultura com esta plateia maravilhosa e com estas pessoas tao importantes e gabaritadas, como: Daniel Munduruku, Enrico Bonavera, Juba Machado.

      Contando com a mediação luxuosa de meu querido Marco Flávio Alvarenga. Este tema: Literatura em Cena: Rituais, Máscaras, Ritmos de Contato e Narrativas da Origem. É bastante instigante e provocador em muitos sentidos. Ao promover inúmeras leituras e interpretações. Um tema aberto cheio possibilidades, de riqueza  semiologica e significados mito-poético.

      Confesso, quando recebi o convite tremi, entrei em panico como todo desafio que recebemos e temos que enfrentar. Mas o guerreiro não foge a luta e também ao bom combate, apesar que aqui não se trata de um combate, representa apenas como um coloquio, uma partilha do sensível, uma comunhao de ideias. Entretanto, como não sou nenhum doutor, homem de carreira acadêmica, sento-me junto aos meus parceiros palestrantes como outsider, vou apenas discorrer pelo campo da minha experiência artística e pesquisa sonora e meu contato com o universo da palavra de forma intuitiva e muitas vezes caótica. Impulsionado por este caos criador, criei minhas narrativas e meu ritual de passagem, para o estagio de uma Pré-cidadania, poderemos dizer assim.

      Por que um artista talvez nunca seja um cidadão em seu sentido pleno, de fato o artista sempre anda por fora da dimensão social, mesmo sendo sua arte um instrumento de provocação e reflexão para uma mudança politica, sendo sua arte um dispositivo micro-politico como afirma Michel Foucault, sabemos que vivemos numa sociedade que predomina vários resquícios de conservadorismos e preconceitos de todo tipo.

      Portanto, posso afirmar que esta relação com o fenômeno da linguagem me garantiu uma civilidade e sobretudo, uma condição de humano – com este fazer poético pude garantir minha humanidade. Mesmo vivendo numa sociedade que tenta a todo custo a firmar a minha deshumanidade.

      Estar em cena com a palavra sempre foi um desafio, no sentido de construir-me em primeiro plano como sujeito e depois como artista. Outra dimensão que me norteia, me organiza sem duvida é o fenômeno rítmico.

      Costumo dizer que sem estes dois fenômenos criativos: o mundo da palavra e a textualidade ritmica – “eu seria apenas um cadaver“ um poste sem luz, um trem fora dos trilhos, um corpo sem alma, no entanto, um espirito sem destino. Alma aqui entra como sinonimo de discernimento. O ritmo nos tempos da infância, era uma brincadeira que me divertia, me levava a viagens celestiais e fantasias oníricas – tive sonhos intermináveis vivendo a ludicidade rítmica que depois esta experiência, veio se tornar um grande aliado no meu desenvolvimento humano em interação com a arte da palavra. Mudando afirmativa bíblica que no inicio era o verbo – poderemos dizer que no principio era o ritmo. Que a tudo deu movimento e vida.

      Seguindo a perspetiva de Octávio Paz, pegando como exemplo o livro: “Signos em Rotação“ onde ele vai dizer de maneira categórica: o ritmo não só é o elemento mais antigo e permanente da linguagem como ainda não é difícil que seja anterior à própria linguagem, Em certo sentido, pode-se dizer que a linguagem nasce do ritmo.  Assim todas as expressões  verbais são ritmos sem exclusão das formas mais abstrata ou didática da prosa. Afirma, Paz. Acrescento, deposito mais uma fagulha, creio que não existe expressões artísticas que não seja contaminado pelo o espirito do ritmo ou vida que não receba sua influencia e contaminação. Sim, porque somos todos contaminados pelo ritmo, ritmos são forças dialéticas, que ocupa tanto o mundo real como simbólico. Em Mario de Andrade, isto fica bem claro no livro: Uma Pequena Historia da Musica brasileira ou senão no livro: Namoro Com a Medicina no qual tem um capitulo que Mario vai dizer das conseqüências do ritmo. De sua importância para a cultura e as linguagens artisticas. Costumo dizer que vivemos num processo de ritmofagia somos todos engolido na atual sociedade por ritmos de toda especie.

      Por outro lado, na atual sociedade contemporânea, Em um tempo do “Amor Liquido” trazendo, Zygmunt Bauman para este debate na qual afirma que as relações humanas estão cada vez mais flexíveis, gerando níveis de insegurança que aumentam a cada dia. Consequentemente, para esta crise da modernidade liquida, o ritmo é de suma importância para que possamos reinventar nossos modos de viver e nos relacionar, dar e receber – em busca da justa contribuição para exprimir gratidão. Ousemos nos colocar num campo de abundância – especialmente em tempos de escassez.

      Como afirma Drummond no poema: Os Ombros Suportam o Mundo,

 Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.“ esatamo sendo tragado por um tempo sem amor.

      Poderemos, utilizar o Tambor como um arquétipo, como metáfora, como um signo catalizador de energias que transforma as emoções e res-significa sentidos, desta forma, o ritmo faz: a incrível conexão ancestral entre o material e o imaterial, a realidade e a imaginação, entre o espiritual e o carnal, entre o novo e o velho. Separando-nos da ancestralidade por meio do tempo.

      Sendo o ritmo uma maneira de contar o tempo em seu sentido musical. Mas o ritmo é mais do que contar compassos e medir metro, metro não é sinonimo de ritmo, ambos são coisas distintas. Metro é medida, ritmo é fruição.

      Acredito, que com a criatividades dos ritmos, como linguagem poética e fenômeno agregador possamos utiliza-los como um ritual de passagem para uma cordialidade social e uma convocação para uma intervenção que desconcerte nosso isolamento contemporâneo  - dentro desse velho sistema em colapso,

      Para finalizar uso aqui, já que estamos na semana de Corpus Christi, uma imagem teológica trazida por José Miguel Wisnisk que ilustra o livro: o som e o sentido, Wisnik, cita Santo Agostinho, quando compara, jesus a um tambor, pele esticada na cruz, corpo sacrificado como instrumento para que a musica ou ruido do mundo se torne a cantilena da graça, holocaustos necessário para que soem as aleluias. Este tambor crístico na tentativa de eliminar nossas falhas, e glorificar nossa Gloria. senão como afirma o antropólogo e poeta Antônio Riserio, em ORIKI ORIXÁ, os tambores como um axé na cosmologia dos orixás tecendo o profano e o sagrado. Textos criativos, tambores falantes que tentam imitar a voz humana, já que a fala é o melhor espetáculo encenado pelo o ser humano. Na certeza de que, quando os tambores tocam: tocam por causa da fé, do amor e da liberdade. Nesta ritualidade, as máscaras caem, dando origem, à uma nova narrativa. Obrigado.

Babilak Bah.

Artista do ruído, poeta e arte-edicador.

Uma Experiência Inter-semiotica com a Loucura.

Posted in Textos sobre cultura on maio 27, 2013 by babilakbah

ImagemImagemImagemImagem

Na Universidade Federal da Paraíba.

Uma Experiência Inter-semiotica com a Loucura
palestra/oficina que ministrei nos 23 e 24 de maio na Universidade Federal da Paraíba para estudantes de psicologia, artistas e agentes de saúde dos Caps e do hospital psiquiátrico Juliano Moreira.

Este momento exibo o Filme: A Casa dos Mortos” que narra a historia do manicômio judiciário da Bahia.

A oficina transcorreu com muita poesia, musica, textos críticos sobre arte e vivências sonoras e a minha experiência no serviço substitutivo da Prefeitura de Belo Horizonte e o Projeto Trem Tan.

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.