Musicalidade de Babilak Bah

Enxadário - CD de 2006

Enxadário - CD de 2006

A multiplicidade sonora da pesquisa de Babilak Bah

“Depois dos pratos & facas e caixas de fósforos dos sambistas, das queixadas de burro incorporadas à percussão por Airto Moreira, das panelas cheias de pedras e naipe de garrafas de Hermeto Pascoal (que também usou porcos e galinhas), dos tubos de PVC do Uakti (discípulo do inventor Walter Smetak), das descargas de automóvel de Rogério Duprat, das enceradeiras de Tom Zé, do chaveiro de Orlan Divo, mais um instrumento cotidiano incorpora-se à música deste país polifônico: as enxadas de Babilak Bah”.

Tárik de Souza

Trem Tan Tan - CD de 2002

Trem Tan Tan - CD de 2002

A cerca de dez anos, um músico de origem nordestina, paraibano de nascimento e iniciou em Belo Horizonte uma pesquisa para construir um trabalho que hoje figura-se como um dos mais singulares da música brasileira.

Artista autodidata, percussionista, compositor e poeta, Babilak Bah concebeu e criou o projeto “Enxadário: orquestra de enxadas”, através de experimentações sonoras para explorar os timbres desse instrumento até então utilizado como ferramenta de trabalho.

Essa “plástica sonora” de Bah foi reconhecida por nomes importantes da música brasileira, a exemplo do crítico Tárik de Souza, e assimilada pelo público nos palcos, através de importantes projetos como o Pixinguinha/ Ministério da Cultura/ 2008, o Conexão VIVO, Conexão Telemig Celular (2003, 2006 e 2007), Rumos Itaú Cultural de Música (2004, São Paulo), entre diversas outras apresentações em festivais e grandes cidades.

Criador compulsivo e dono do que se pode chamar de “teimosia artística”, Babilak Bah se autodenomina mais um “propositor” do que um compositor e o que norteia o fazer artístico de Babilak em mais de 20 anos de carreira é a persistência de construir um trabalho exclusivamente autoral, singular, com identidade própria. Assim, no primeiro disco, Babilak assina dez das 11 faixas, sendo a única releitura “Xote dos Poetas”, de Capinam e Zé Ramalho. E é com muita personalidade, dedicação e pesquisa que o artista passeia por outras experimentações e surge agora com o “Enxadário: Quarteto de enxadas” e seus Enxadigmas”.

Enxadigma

Com a proposta de aprofundar ainda mais a pesquisa da “timbralidade” das enxadas e sua poética experimental, Babilak Bah desenvolve desde 2008 o projeto “Enxadigma:pesquisa e construção de instrumentos” com o qual criou sete novos instrumentos a partir do ìcone “enxada”. Musicalmente, o que se vê no palco, é uma percussão de batida forte associando ritmos da cultura popular com a contemporaneidade da música eletroeletrônica, além de uma exuberante perfomance dos músicos e a verve poética de Bah destacada por composições apresentadas através de sua voz “rasgada” e seu “canto falado”.

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