Um poeta que coloca a pessoa no lugar dos pensamentos.

Deparo com sua escrita viva, pretensamente despreocupada.Escrever sobre um poeta andarilho, em que sua trilha é a linguagem, consequentemente, o poeta andante justifica a sua peregrinação, afirma sua liberdade, rascunha a vida, constrói versos pelos cotovelos, sem censura da língua: fala de muitas coisas, com seus palavrões, rico em sonoridade, faz versos sob: “o sexo mineirim”, traduz as várias minas, libera seu verso livre sob o corpo da cidade, denuncia o “capitalismo”, seu relacionamento e mal-entendido com os artistas, digamos, com a vida. Cria a teoria “Os moradores de rua são os únicos cidadãos”, delira sob o delírio da cidade como metáfora do mundo, ou seja, sob a exclusão social no território da metrópole. Distorce o real, mesmo assim, o poeta é sempre eloquente, em sua inspiração, tem planos para seu clã, para sua estirpe: “Bem-aventurados os malucos-beleza Porque eles herdarão o reino dos céus”. Ambiciona projetos estéticos, medita sobre a metalinguagem. “Toda poesia é exagero”, enxerga o xis da questão, a problemática do fazer artístico , o sofrimento do poeta com os vocábulos. “O problema é que quando O poeta sai do mundo das palavras Esquece o verso repetido E começa tudo de novo”. E reitera com ênfase: “Fica na cabeça, repetindo O mesmo verso O mesmo verso O mesmo verso”. Por outra via, tem pretenções com sua escrita, como militante da rua, o poeta é dono da cidade, “A ponto de explodir, Causar uma explotesão, E quem sabe uma inundação” torna-se o porta-voz de uma “humanidade que grita baixinho” faz da rua sua república, sua pátria universal: ‘’Queria fazer uma poesia Sem palavras Sem sons Sem linguagens criptográficas Sem símbolos Sem qualquer sinal de vida ou morte”’ Sob o cotidiano dos becos, dos bares, constrói sua visão de mundo; um mundo que vive sobre a ameaça; com sua inscrição se interroga: “O que será desse mundo”. O poeta sai da palavra, habita um planeta de signos. Seu Eu poético é múltiplo, ás vezes profeta, ora político, em outras circunstâncias, maluco beleza; um messias do “caminho do bem”. “Vivo neste pequeno planeta periférico”. E vai civilizando a periferia da existência humana, com seu alfabeto e um linguajar próprio, ou impróprio para os conservadores. O poeta tem fé e ideologia, lança seu manifesto, sua crença, sua utopia: “VIVA A REVOLUÇÃO DOS MALUCOS! MALUCOS UNIDOS JAMAIS SERÃO VENCIDOS!” O poeta Xexéu Beleléu, transita no universo da palavra como um automóvel de sensações. Por ironia, ele vai virar filho da PUC, Querendo ser filho da pauta… talvez. Traz consigo uma linguagem repleta de buracos e uma sujeira singular. Atravessa avenida onde os iguais, pretendem ser diferentes, sendo os mesmos, idênticos aos demais. Para um bom entendedor um ponto basta. Eis o poeta Xexéu Beleléu, significação de si mesmo, configurado nos palavrões e nas suas metáforas.

 

Babilak Bah Poeta, Músico e Arte educador

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