Um pesquisador de ruídos com olhos livres…

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Canta o compositor e violeiro Almir Sater: “o mês de maio, enfim chegou” como é sabido, é um tempo de comemoração com datas importantes em todo mundo ocidental.

Também é do conhecimento de todos que o artista vive do que tece, colhe o que espalha no campo da criação, reinventa-se no mundo da arte e na esfera da cultura.

A partir dessa segunda feira dia 07 parto em viagem durante todo o período de maio pelo o Nordeste do Brasil, sigo um roteiro geográfico para conhecer algumas cidades invisíveis e aspectos culturais desconhecidos da sociedade brasileira. Algumas já conheço, outras re-visito. As que visito pela primeira vez são ambientes inusitados. Um país novo que descubro com inúmeras significações, interpretações, paisagens novas, novos ruídos sonoros e sociais.

“Meus olhos estão livres“ Com este sentido de liberdade solto meus sentidos na estrada, certo de que, o horizonte não é só aqui. Com a mochila nas costas, uma câmera, um gravador, seguirei em turnê divulgando meu trabalho e pensamento artístico. Na mala vão os CDs do enxadário: Orquestra de Enxadas, o recente trabalho: Biografias de Homens Inquietos, o livro CORPOLETRADO, o filme documentário em formato digital: Curacões,  meu marimbau eletrônico, alguns enxadigmas e a enxada-mãe, genitora de toda esta linguagem e parafernália artística que administro com zelo.

Apresentarei nesta viagem, performance, oficinas, cantarei minhas canções para uma platéia desconhecida, com isto pretendo abrir trincheiras, criar um público novo, ampliar a divulgação dos meus produtos culturais, conhecer novos artistas, este é o objetivo principal da minha viagem pelo Nordeste do Brasil. Esta atitude faz parte do meu projeto de expansão, empreendedorismo artístico, sobretudo, do meu capital poético. Realizado com recurso próprio,  porque nosso tempo é hoje. Irei em lugares que já foram visitados pelos modernistas pela A Missão de Pesquisas Folclóricas, idealizado por Mário de Andrade com as colaborações de Oneyda Alvarenga e Dina Lévi-Strauss, isto em 1928, na fase mais intensa da vida do pesquisador com seus projetos de descobertas do Brasil com o intuito de fundamentar a identidade nacional.

Durante a construção e garimpagem deste texto, constato um fato bastante interessante e significativo. Antes de eu ir a literatura de Mario de Andrade para me entender quanto brasileiro, Mário já tinha vindo ate a mim. Para se entender como pessoa, musicólogo e pesquisador contemporâneo.

Como consta nos documentos bibliográficos:

“A estada mais longa para a coleta se dá no Estado da Paraíba, onde a Missão permanecerá até 30 de maio, com duas incursões ao interior. Além de visitarem os arredores de João Pessoa, como o bairro Rogers, Torrelândia e Itabaiana, vão a Campina Grande, Patos, Pombal, Sousa, Cajazeiras, Curema, Alagoa Nova, Areia, Alagoa Grande, Mamanguape e Baía da Traição”.

E para quem não sabe a Torrelândia foi o bairro que eu nasci em João Pessoa em janeiro de 1964.

Viajar pelo Brasil esteve sempre nos meus planos como uma meta ideológica, uma ambição estética. Conhecer o território nacional, sua diversidade cultural como um projeto de vida, posso dizer: um aspecto politico e existencial que carrego como traço. E assim desejo embrenhar-me pelo Brasil profundo, aprofundar nas raízes brasileiras – Eis uma das minhas prioridade artística e herança modernista.

Começarei a turnê por Fortaleza, Seguirei para o sertão paraibano, vou para o Cariri cearense, para a cidade de juazeiro do Norte. Retorno a Paraíba para a cidade de Areias, onde nasceu dois ilustres brasileiros: O escritor José Américo de Almeida e o pintor Pedro Américo.

Nesta viagem irei rever a cidade de Pombal que foi visitada nos anos 20 por Mário de Andrade  e sua equipe da missão de pesquisa folclóricas. Irei me encontrar com um amigo que não vejo a 28 anos, camarada que me apresentou o livro Rubaiyat do poeta Persa Omar Khayyam, a musica de Ravi Shankar e a teoria do kaos de Jorge Mautner.

E por fim concluo: viajar é sempre bom para entendermos como é pequeno nosso horizonte e nosso foco de visão.

Babilak Bah.

2 Respostas para “Um pesquisador de ruídos com olhos livres…”

  1. bela empreitada…toda sorte do mundo pra vc, Babilak Bah !!! grande pesquisador – vai a campo, cria, recria e deixa crias pelos caminhos onde trilha com suas enxadas. vida longa e sucesso ! desejo-lhe boa acolhida, felicidade e proteçao … bjs
    cris kalile

  2. Afonso Ligorio Says:

    Vá meu irmão em busca de todos os sons, novos ou repetidos, transforme tudo em sonho é poesia, para que todos os nossos brasis conheça a sua fantasia.

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