Oficina: Do Ritmo à Palavra…

Apresentação:

Em meio a uma pluralidade de estilos, tendências, práticas e programas, a arte contemporânea emerge enquanto um dispositivo do pensamento. Nesta perspectiva, torna-se necessária à implementação de ações que viabilizem este exercício do pensar, ampliando os limites de reflexão e produção artísticas na construção de conhecimentos. A arte literária não fica imune a esta proliferação e ao deslocamento de sentidos que vivemos nos tempos correntes, pelo contrario, como afirma, Barthes a literatura tem a função prioritária de fomentar as questões no mundo real.

Portanto é assumindo este desafio e o exercicio de refletir este fazer artistico com a palavra em seu sentido amplo e plural que me proponho a ministrar esta oficina tendo como fundamento dois aspectos fundamentais que norteiam e estruturam a minha existência e organizam o meu processo artístico: o Ritmo e o universo da Palavra.

De imediato quando se adentra o campo de pesquisa, percebe-se que existe inúmeros estudiosos que debruçaram-se sobre esta questão do fenômeno rítmico e signos linguísticos, afirma Octávio Paz que: “Uma das entradas que carateriza o modo de ser da linguagem é o estudo dos seus ritmos”. E fundamenta ainda mais dizendo que: “O ritmo é como um imã – convoca as palavras”. E segue afirmando: “No fundo de todo fenômeno verbal há um ritmo. As palavras se juntam e se separam atendendo a certos princípios rítmicos. Se a linguagem é um vaivém de frases e associações verbais regidos por um ritmo secreto a reprodução desse ritmo nos dará poder sobre as palavras“. Nesta tentativa de me apropiar dessa potencia que é a junção ritmo e palavra que articulo este exercicio em format de oficina de uma maneira coletiva.

No campo da linguística há estudiosos que sugerem que a primeira forma da linguagem teria sido a poética, ao sustentar que nos primeiros tempos a fala humana se identificava com acenos e gestos do corpo os quais apresentavam relações naturais com as idéias.

Sempre tive a clareza de perceber no ritmo uma linguagem e também como um fenômeno organizador. Defende, em seu trabalho prático e teórico no campo da poesia moderna ou arte de vanguarda. o escritor mexicano Octávio Paz: “sem ritmo não há poema“ ou seja, o ritmo como expressão poética. Em certo sentido, pode-se dizer que a linguagem nasce do ritmo ou, pelo menos, que todo ritmo implica ou prefigura uma linguagem. O ritmo não é apenas o elemento mais antigo e permanente da linguagem, como também não é difícil que seja anterior à própria fala.

É sabido que a comunicação imediata entre duas pessoas se dá pela palavra e pelo gesto. O ritmo e palavras estão intimamente ligado com a musica, com a poesia e a dança como formas de expressão primeira da humanidade. Sem dúvida a linguagem é um prolongamento do ser humano, uma extensão que faz parte da condição humana que se acenta de maneira consciente ou não no corpo e na consciência. E se articula por meio da fala, do escrito e da escrita, parafraseando Barthes.

Conclamam alguns estudiosos que houve um tempo na historia humana não havia distância entre a linguagem e as coisas, pois atribuir um nome e criar o real faziam parte do mesmo processo. Outros acrescentam que somente mais tarde, com o surgimento da “ironia”, como forma reflexiva, separou-se a fala do seu sentido, abrindo assim, espaço para as questões da verdade e da falsidade das palavras.

No entanto, o que aproxima ritmo e palavra? Qual a relação de tão intima entre um fenômeno e outro? Qual sua relação com o processo criativo e as linguagens artistiscas? O que liga este dois aspectos no fazer cultural? Como estabelecem relação e interagem um signo linguistico e o fenomemo ritmico? O que o ritmo tem de proximidade com o mundo da palavra? Creio que muitos poetas e literata, filósofos, filólogo e cancionistas já tenham se debruçado sobre esta questão.

“Ai, palavras, ai, palavras.

Que estranha potência, a vossa!

Ai, palavras, ai, palavras.

Sois de vento, ides no vento,

No vento que não retorna,

E, em tão rápida existência,

Tudo se forma e transforma!”

(Cecilia Meireles)

OBJETIVO:

Apresentar a proposta a ser trabalhada com exposição bibliográfica; apreciação de materiais relacionados à temática em vídeos e catálogos.

Promover uma consciência rítmica associando o ritmo e a palavra propondo a criação coletiva e a historia pessoal dos participantes como metáfora do mundo: como potencia poética e a narrativa das biografias.

– Propor dinâmicas envolvendo ritmo e palavra – noção de interface. Jogos rítmicos: o ritmo como objeto de linguagem – utilização do corpo como parte constitutiva da obra. Jogos textuais: a palavra enquanto elemento de expressão critica – a palavra enquanto potência para a criação artística.

-Propor a construção de materiais textuais e corporais; elaboração de manifestações artísticas envolvendo a palavra e o ritmo.

– Propor o compartilhamento – redes de interação – Viabilização de intercâmbio entre artistas, críticos, pesquisadores, estudantes e comunidade em geral. Reflexão sobre as múltiplas possibilidades do alargamento das referências envolvendo Literatura e musica.

– Contribuir para a construção de conhecimentos no que se refere a linguagem rítmica dentro do universo da arte contemporânea.

Obras que serão referencia para este trabalho

Os cem melhores  contos brasileiros

– ITALO MORICONI

50 contos de Machado de Assis

– selecionado por John Gledson

O prazer do texto

– Roland Barthes

Grão da voz

– Roland Barthes

A semiologia

– Perre Guiraud

Os sentidos da paixão

– Companhia das letras

O ser e o tempo da poesia

– Alfredo bossi

Dicionário de rimas da língua portuguesa

– Jose augusto fernades

Esse Oficio do Verso

– JORGE LUIZ BORGES

Ezra Pound

– Abc da literatura

ORIKI ORIXA

– Antonio risério

O que é  comunicação poética

– Décio Pignatari

O arco e a lira

– Octavio paz

Corpoletrado

– Babilak Bah

Antonio cândido

– O estudo analico do poema

Paul Zunthor

– A letra e a voz.

O que é poesia ed confraria do vento

– Organização: edson cruz

A  língua mina-jeje no Brasil

– Yeda pessoa de catro

Mitologia dos orixás

– Reginaldo Prandi

A de escrever

– SCHOPENHAUER

 

 

Oficina no festival de São João Del Rei

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