Cinema sobre a tela da loucura…

Cinema sobre a tela da loucura.Seguindo a perspectiva da pesquisa que venho realizando: Uma experiência Inter-Semíotica com a  Loucura, deparo-me com a importância do cinema quando tem como tema a loucura, a psiquiátrica e as formas de tratamento de pessoas portadoras de sofrimento psíquico. Para Flavia Fleury estudiosa na questão com tese de mestrado A Loucura Confirmada no Cinema. Assinala.

No decorrer da história do cinema, diversos diretores se apropriaram de técnicas e narrativas diferenciadas, para tentar expressar não somente os sentimentos e vivências do louco, como também para apontar questões mais amplas como os preconceitos, estereótipos, a exclusão, a violência, enfim, uma série de questões relacionadas aos valores de uma sociedade em relação à loucura e ao próprio sistema na qual estava inserida, criticando ou representando uma determinada ideologia responsável pela imagem acerca da loucura no mundo.

Sem duvida o tema da loucura é envolvente e exige folêgo e a autora ampliar sua reflexão: O tema da loucura, por ser muito polêmico e objeto de grandes discussões, tem sido amplamente representado nas artes e discutido em várias esferas, no cinema, na ciência, na política, na literatura, na história e principalmente entre os profissionais de saúde mental, que não tem um entendimento unânime no que concerne às formas de tratamento mais adequadas para o louco. É sabido que nas manisfestaçoes artisticas estão reprsentadas a história e a evolução do pensamento do homem, as ideologias dominantes que regulam esse pensamento e influenciam o modo de viver da sociedade, assim como os conceitos que confrontam esses modelos. Não seria diferente na expressão do cinema.

Portanto, mais uma vez Flavia Fleury esclarece sobre a narrativa cinematográfica, afirmando que a linguagem do cinema é atravessada pelas diretrizes políticas, ideológicas, econômicas, sociais, religiosas, tecnológicas, enfim, históricas, presentes em seu tempo. Portanto, ao analisar um filme, é necessário perceber todo o contexto no qual o filme se insere, os recursos utilizados na narração, além da mensagem que pretende transmitir ao público.Para finalizar esta problematização sobre cinema e loucura trazida por Fleury, a autora chama nossa atenção para filmes que trabalham com essa temática, que muitos anos antes do surgimento do movimento da luta antimanicomial, militante de uma sociedade sem manicômios, inúmeros filmes retrataram o manicômio de uma forma negativa, criticando-o e denunciando tratamentos perversos e desumanos dados ao louco, revelando também um preconceito da sociedade com pessoas que não se encaixavam nos padrões exigidos de uma época, identificando os inadaptados à figura do louco. E na realidade, os primeiros movimentos de mudança no tratamento do louco, iniciaram no pós-guerra, mas só atingiram a radicalidade da reforma, com o italiano Franco Basaglia, em 1971. Isto aponta que o cinema já antecipava esse questionamento, bem antes de se pensar nas transformações do tratamento do louco. Esta antecipação demonstra como o cinema é importante como fonte histórica de pesquisa, podendo produzir questionamentos, reflexões, constituindo-se enquanto uma arte que tem influência na formação de opinião, podendo preceder transformações significativas na sociedade.

Aqui coloco alguns filmes que tem como tema a questão da loucura e bom proveito. Só chamar os amigos com pipoca e reflexão

Livro Cinema e Loucura: Conhecendo os transtornos mentais através dos filmes, escrito por J.Landeira-Fernandez e Elie Cheniaux.

– Quando Fala o Coração (Spellbound, EUA, 1945) DireÁ„o: Alfred Hitchcock

Bedlam (idem, EUA, 1946) DireÁ„o: Mark Robson

– Na Cova da Serpente (Snake Pit, EUA, 1948) DireÁ„o: Anatole Litvak

– De Repente no ultimo Verão (Suddenly, Last Summer, EUA, 1959) DireÁ„o: Joseph L. Makiewicz

Laranja Mecanica (Clockworck Orange, Inglaterra, 1971) Direção: Stanley Kubrick

Frances (Idem, EUA,1982) Direção: Graemme Clifford

O Gabinete do Dr. Caligari (“Das Cabinet des Dr. Caligari”, 1920, dir. Robert Wiene)

Psicose (“Psycho”, 1960, dir. Alfred Hitchcock)

Paixões que Alucinam (“Shock Corridor”, 1963, dir. Samuel Fuller)

Um Estranho no Ninho (“One Flew Over the Cuckoo’s Nest”, 1975, dir. Milos Forman)

Mr. Jones (Idem, 1993, dir. Mike Figgis)

Melhor È ImpossÌvel (“As Good As It Gets”, 1997, dir. James L. Brooks)

Bicho de sete cabeças (Idem, 2000, dir. LaÌs Bodanzky)

 – Uma mente brilhante (“A Beautiful Mind”, 2001, dir. Ron Howard)

Meu Nome Não È Johnny (Idem, 2008, dir. Mauro Lima)

Azyllo Muito Louco – 1969/71- Direção: NÈlson Pereira dos Santos

– Machado de Assis – O conto ìO alienistaîe O Quincas Borba

– Um corpo de cai

Amnesia

Um sonho dentro de um sonho

– Louca Obsessão

– Clube da Luta

– O Solista

– Brilho eterno de uma mente eterna sem lembranças

– K-Pax

– (12 macacos).

– O Maquinista

– O Exorcismo de Emily Rose

– No Limiar da Verdade

– Mullholand Drive

– O Efeito Borboleta

– O amor È contagioso

– O Iluminado

– Doc. Estamira – Marcos Prado

– O Homem-Urso – Herzog

– Louco por cinema

– doc. Em nome da razão

Helvécio Ratton

– Doc. Imagens do inconsciente

 

 

Uma resposta para “Cinema sobre a tela da loucura…”

  1. Simplesmente agradeço a oportunidade de ter acesso a este conteúdo. Obrigada.

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