Este corpo que me acompanha

Este corpo que me acompanhaNa Revista História da Biblioteca Nacional, numero 40 de janeiro de 2009. Trouxe como tema principal: Corpo em evidência.

A revista realiza um belo convite espalhado pelas paginas e nos surpreende com um assunto dos mais tangíveis nesta época de descanso, como afirma o editor e acrescenta, fazendo uma interrogação: Como nossos antepassados viam o corpo e os comportamentos? E que dramas envolvem o físico e a aparência hoje? Esta edição em especial trás várias questões sobre o corpo na sociedade, tem um texto sobre tatuagem ontem e hoje, uma matéria sobre os afrodisíacos como eram utilizados no período colonial, uma nota sobre a provocação de Leila Diniz ao exibir sua gravidez usando biquíni e a polêmica da tanga usada por Gabeira. Ainda ilustram a revista curiosas matérias sobre comportamentos estranho de cortar cabeças de criminosos e até arrancar dentes. Uma exposição de fotos de Alair Gomes que escondido atrás da janela em seu apartamento produziu milhares de fotos de belo rapazes em Copacabana; agindo dessa forma renovou o olhar sobre o corpo masculino. Uma matéria sobre a paixão nacional: A bunda brasileira. Que invade o imaginário dos homens. A bunda a paixão nacional está em todos os lugares, na praia, nas ruas, na musica de Chico Buarque, nos poemas de Drummond. Portanto, a matéria marcante dessa publicação de numero 40 é uma maravilhosa entrevista do psicanalista Jurandir Freire Costa que debruça seu olhar sobre a corporeidade contemporânea, expressa sua opinião e dribla o senso comum e fala sobre vaidade, desejo doença e prazer.Jurandir Freire diz: Nenhum individuo, em nenhuma sociedade, se contentou em nascer e morrer com o corpo que tem.

A ênfase na corporeidade está produzindo certos quadros clínicos que a terapia pela palavra, sozinha, pode não resolver. Ainda metralha estas palavras:

Vivemos em uma sociedade de tudo, menos de prazer. O espetáculo, a publicidade, em suma a visão de mundo hegemônica dizem: Goze, goze. Agora, dai a gozar… é outra historia¡ Só estamos autorizado a comer meia folha de alface. Temos que nos matar de exercícios físicos, fazer palavras cruzadas para evitar Alzheimer. Check-up cinco vezes por ano. Está entendendo? E um medo pavoroso de câncer, nunca houve tanta propaganda em torno  de pratos exóticos e refinados no Brasil, da cozinha Tailandesa à peruana passando pela do Tibet. e a do Brunei. Mas o sujeito não pode usufruir de nada, absolutamente nada disso ele vai ficar com medo do colesterol, de ser olhado como estulto, um irresponsável, pelos os amigos: Neurótico, não cuida de si. Vai fazer psicanálise, ioga (risos) Então, abre-se mão do prazer, que se tornou paradoxal, algo extremamente escasso. E isso numa cultura que se auto-representa como hedonista. E por fim Freire afirma: O corpo é o maestro.

Fotos: Fragmento da escultura: O Abraço – Alfredo Ceschiatti (1943) Mármore
99 cm (altura)
Museu de Arte da Pampulha – 
Belo Horizonte (MG)

Babilak Bah

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