Apenas um jovens sem dinheiro mas com a esperança no novo.

“Apresentar quatro poemas de um poeta desconhecido. Quatro poemas de um jovem poeta que interroga – aos vinte anos – os horizontes do mundo. Poeta que de Bayeux (cidade brasileira da Paraíba vem a Brasília somar perguntas e reforçar resposta a uma questão vital:  “ liberdade quando enfim? Para os negros daqui/ E todos os recantos mundo, Liberdade¡/Axé”

Lourdes Teodoro – professora de literatura brasileira da UNB.

(Extraído do prefacio do meu primeiro livro de poemas produzido pela comissão do negro do PT –  Distrito Federal em 2006,)

ImagemNo transcorrer dos anos 80, morava com minha queridíssima mãe: Iracema Gomes da Silva na cidade de Bayeux, periferia de João Pessoa-PB, jovem negro, periférico, sem nenhuma perspectiva. Aos 19 anos acontece o falecimento de minha mãe, sua morte foi um renascimento, um despertar de consciência, este fato desabotoava novas realidades em meu percurso, não sendo de outro modo, tive que buscar motivação, sentido para existência, sobretudo construir novos rumos à vida. entretanto, jamais perdi a cabeça, mesmo quando orbitava um contexto desfavorável na travessia do desespero.ImagemTrazia o signo da inquietude, como todo jovem. Assistia as manifestações culturais e politica do país. Rodeado de amigos, tendo o desejo de um dia ir embora da Paraíba. Num certo dia, circulava pelo Ponto dos Cem Rés, praça do centro de João Pessoa, resolvo ir ao diretório do Partido dos Trabalhadores – PT no qual na época já era militante, quando Américo, um sindicalista bancário, comunica-me que havia uma convocação do diretório de Brasília aos militantes negros para uma reunião para elaborar o primeiro congresso para discutir o Negro e o PT. Sem medir esforços, resolvi a ir, uma característica daqueles tempos de militância, na qual vendíamos camisetas, botos e fazíamos várias atividades para conseguirmos recursos no intuito de garantir os diretórios abertos e a esperança acesa. Tinha pouca informação como era o Distrito Federal, então parti numa maior empolgação, desta forma, abri fronteiras, como um desbravador de sensações, fiz escala de João Pessoa à Recife, de Recife à Salvador, de Salvador à Brasília, não havia ônibus direto de João Pessoa para a capital do país. Quando cheguei a Capital Federal, me dirijo a sede do PT, depois de 30 horas de viagem, me apresentei a comissão que organizava o referido congresso, foi uma surpresa para todos, ninguém imaginava a presença de um paraibano na reunião. A comissão do negro do PT era coordenada pelo professor Edson Cardoso que depois tornou-se assessor do senador Paulo Paim. Esta aventura foi um divisor de águas na minha trajetória, pela importância, e possibilidades, horizontes que via brotar. No mesmo dia fui para um comício que acontecera numa cidade satélite pelas “Diretas já“ em Taguatinga, com a presença de várias personalidades ilustres do cenário político envolvido  no processo de redemocratização do Brasil, inclusive  com a presença do ex-presidente Luiz Inácio LULA  da Silva que na época era deputado federal. 

convite :logomarcaAntes começar o comício durante as atrações culturais, consegui me encaixar na programação, subi ao palco, fiz uma performance poética, esta atitude rendeu-me bons resultados, dando-me novas perspectivas, pelo menos a partir daquela experiência tão inusitada, foi devido a esta intervenção poética que consegui publicar o meu primeiro livro de poemas. Retornei cheio de entusiasmo para João Pessoa, renovado, auto estima elevada, esta experiência foi uma injeção de animo, estimulo na minha vida artística, ainda tendo a honra de assistir, e participar de um capitulo importantíssimo do processo da abertura politica brasileira.Dois meses depois, regresso à Brasília, a convite da comissão para oficializar o congresso, também realizar o lançamento do meu primeiro livro produzido pela comissão do negro do Distrito Federal. A noite de  autografo foi bastante calorosa, com a presença de várias personalidade do PT, intelectuais da UNB, estudiosos da questão do negro no Centro Oeste, contando ainda com inúmeros artistas emergente do Plano Piloto. O livro contou com o prefácio da professora de literatura brasileira da UNB Lourdes Teodoro. Durante a performance, fotografado pelo Carlos Cruz Espinosa, a minha imagem foi escolhida pela comissão para ser o cartaz tema do congresso: O PT e a Questão Racial. O cartaz  circulou por todo o Brasil e a América Latina. Um tempo de militância e poesia engajada. Quando eu soltava a voz: via nascer, proliferar uma negritude que ilumina o seu ser / xangó meu vai em ti /Zumbi tua obstinação pra mim.                                                                                      Vi resplandecer uma negra fortaleza na força da razão.                     Babilak Bah

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