Cada trecho percorrido um filme realizado.

          Cada trecho percorrido um filme realizado.

Preso a canções/Entregue a paixões
Que nunca tiveram fim/Vou me encontrar
Longe do meu lugar/Eu, caçador de mim

Luiz Carlos Sá e Sergio MagrãoImagem       Na travessia da década dos anos 80, residente na cidade de Bayeux periferia da grande João Pessoa–PB. Tinha na cabeça um projeto de publicar um livro intitulado: “Desnorteado sem Alma” titulo bastante significativo para representar este período histórico de minha vida. Nesta época vivia atravessado por inquietudes na busca de novas possibilidades para recriar o cotidiano e manter a esperança acesa. Como afirma o geógrafo Milton Santos, só os pobres são criativos em seu dia-a-dia na perspectiva de obter estimulo para garantir a existência. Desta forma, utilizei da estratégia de produzir o segundo livreto de poemas com o objetivo de circular: conhecer outros mundos inventivos sobretudo o universo do sensível. A experiência desse produto editorial realizado de forma independente ainda em processo mimeógrafo foi uma atitude artística relevante para minha formação como autodidata, portanto, uma iniciativa transformadora.

     Munido com os documentos pessoais, no entanto sem dinheiro no bolso, mas portando este pequeno livreto como se fosse um Best-seller, segui orgulhoso, revestido por uma coragem sem tamanho, dando-me a possibilidade de viajar, conhecer algumas cidades brasileiras que fora importantíssima em meu desenvolvimento cultural.

Decorei alguns poemas, elaborei uma performance, sai rasgando o futuro, resolvi fazer intervenção poética em bares, por cidades como: João Pessoa, Recife, Brasília, Goiânia, Belo Horizonte e Ouro Preto, (minha passagem por esta cidade histórica merece um texto especifico, uma cidade que me apaixonei na primeira vista, na qual morei por quase três anos.) Lembro-me muito bem desse momento inesquecível numa manha de primavera de 1988 quando cheguei na Praça Tiradentes, depois de uma maravilhosa carona que tive a felicidade de pegar ao lado do shopping Carrefour, saída de Belo Horizonte rumo à vila rica.

Ter realizado esta produção, e em sequencia ter partido da Paraíba numa aventura artística no intuito de me entender quanto um criador, sobretudo procurar ter consciência da minha historia de vida, como brasileiro, negro e nordestino, foi enriquecedor pelos desafios que vivi, as dificuldades que tive que superar, pelas transformações que esta viagem me causou, as oportunidade que esta me trouxe proporcionando uma reflexão para rever os conceitos e as atitudes, tanto no aspecto comportamental como no campo da linguagem. ImagemEsta viagem me proporcionou encontros fortuitos e inesperados com poetas, artistas de várias linguagens, desta forma, estabeleci diálogos que ampliaram a percepção, por consequência a visão de mundo.

Foi a partir dessa realização poética, movido por uma inquietude existencial que resolvi fazer a interação entre musica-poesia, foi nesse momento histórico que aconteceu a minha aproximação com o universo percussivo no sentido de querer me aprofundar, tornando-me um profissional e pesquisador de maneira sistemática. Costumo afirmar que minha subjetividade está ancorada a parir de dois eixos: o mundo da palavra e o universos dos ritmos.

Sem sombra de duvida, um período de aventuras, de descobertas, de um menino atirado ao mundo sem medir as consequências, com isto querendo aprender sobre a vida, no intuito de colecionar paisagens, emoções e pessoas atravessavam os olhos.

Tempo este em que a palavra brotava no olho numa alegria, trazendo ritmos e transformações, tanto quanto,  um pingo de chuva que cai sobre uma terra seca.

Muitas pedras rolaram no caminho possibilitando inúmeras narrativas, cada trecho percorrido um filme realizado.Imagem

Babilak Bah 

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