Quando a rede abraça a bola.

Quando a rede abraça a bola.

 Imagem

Numa partida de futebol, desenhar um gol, provoca um estado de espirito, tanto quanto um músico executando uma nota perfeita ou quando o cantor exprime uma canção, deixando sua alma flutuar pelas alturas.

Um drible escrito na partitura do gramado tem o mesmo efeito quando um poeta consegue elaborar uma metáfora inusitada e bela.

Esculpir um cruzamento ou talhar uma jogada de efeito promove uma felicidade da mesma forma que um jazzista ao realizar um improviso ou um solo contagiante.

Quando o artista da bola faz uma jogada de letra, com uma coreografia fascinante dentro das quatro linhas, neste raro instante, faz-se presente: a música, a poesia que habita o futebol: grávido de arte.

A magia desse fazer poético, a escrita do drible, é divertir-se com a bola no pé, em comunhão com a cabeça. Da mesma forma que o poeta joga com as palavras, músico se diverte com os sons. O artista plástico brinca com as cores sob um mural.

Emoldurar um gol de bicicleta, na narrativa de um clássico, funciona tal qual uma obra de arte, provido de um gozo sem tamanho, de destreza inesperada, ato percebido com antecipação. Um voo ao mistério. Palavra perfeita no meio do verso. Um lampejo de poesia entre o jogador e a bola.

A pintura desse gesto, fruto de genialidade, realizado no hemisfério das paixões, onde a bola é uma canção sem dono, texto redigido na memória da massa.

Um gol tendo esta assinatura, de absoluta maestria, estampado na tela de um campo, o performer da bola: transgressor no tempo e no espaço, percebe a pelota como signo de criação.

Designer do gesto, desafia a lei da física, revela linguagens, torna-se um decifrador de códigos, exposto no olho da multidão, repleto de beleza, numa insustentável leveza, propõe um orgasmo coletivo. Uma felicidade geral e lágrimas da multidão.

Assim como a grande arte nos revela o êxtase dos sentidos, a maravilha dos instantes, revelação do espirito.

Quando a bola passa pelo goleiro, recebe o abraço da rede, atravessa o portal do sublime, eis um verdadeiro delírio: GOOOOOOOOOOOOLLLLLZZZZZOOOOOOOO

Babilak Bah

Obs:  na foto: Leônidas da silva, criador do golde bicicleta

Uma resposta para “Quando a rede abraça a bola.”

  1. Parabéns, Babilak. Que bela associação entre a música e o futebol, na minha humilde opinião, as duas principais artes já produzidas
    pelo ser humano

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