Uma breve conversa com taxista músico sobre a cena musical de Belo Horizonte.

 

 

 

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Ontem assistindo uma aula-palestra de Ariano Suassuna, em determinado momento de sua  fala, Ariano comenta que se sente um musico frustrado.

Este depoimento fez-me lembrar uma situação que vivi sábado passado chegando em confins, quando atravessei o portão de desembarque do aeroporto, aproximou-se um homem de uns 40 anos e perguntou-me,

– o senhor deseja um taxi,

Retruquei –  porquanto o senhor me leva na Pampulha no bairro Enseadas das Garças, próximo da Toca da Raposa II?

O taxista, disse-me – Levo por X,  

Respondi de imediato – pago Y.

Nessa rápida negociação o taxista respondeu,

– Ok, vamos.

Coloquei  o meu violão no carro, partimos em direção ao endereço desejado,

o taxista pergunta-me,

– Estava a passeio ou trabalho?

Respondo, – as duas coisas.

O taxista me faz uma revelação, também sou musico, mas parei de trabalhar com a musica, em Belo Horizonte não dar para se trabalhar com música, e acrescenta, – principalmente quem quer fazer musica autoral, isto trás inúmeras dificuldades ao artista que almeja desenvolver um trabalho próprio, muitas vezes o musico perde a namorada, se for casado, a esposa e fica mal com família, então tive que fazer algo que garanta a minha sobrevivência. 

Em seguida, tirou do bolso um cartão, e me passou, o taxista é baixista, dar aula de teoria musical e improvisação, as vezes toca em festas musicas dos anos 80 tocando um repertorio de música americana.

E concluiu,  – é disso que o povo gosta.

Durante a viagem de confins à Pampulha, o taxista-musico veio falando das dificuldades de ser musico na cidade Belo Horizonte.

O taxista guarda o mito de que os baianos são mais unidos dos que os mineiros,

Disse-me, – veja os tropicalistas, os baianos, eles se ajudam, em seguida, começou a fazer comentários sobre o Clube da Esquina, dizendo que o movimento mineiro foi o maior desserviço à musica mineira,

E acrescentou com palavras bastante contundente, estes caras não ajudaram ninguém nessa cidade, é um grupo fechado, agora estão todos velhos e sem uma legião de fãs, e foi fazendo suas considerações,

– Eu fico aqui no aeroporto, observando alguns músicos, muitos chegam em confins ficam esperando o horário do vôo, ninguém os conhecem, sentam para tomar um café, não chegam uma pessoa para pedir um autógrafo, são pessoas que passam despercebido pelo o público, são apenas mais um no meio da multidão.

E por fim, acrescentou,

– não souberam fortalecer a cena local.

Eu ouvia suas queixas, tudo de forma silenciosas, às vezes tecia um comentário, a conversa do músico-taxista também transcorreu sobre as lei incentivo à cultura.

E concluiu, – muitas pessoas que são do meio musical que se envolve com a política cultural sempre trabalham em prol de si, usam do tráfico de influencia para se promover e aprovar os seus respectivos projetos.

Chegamos no Enseadas das Garças, desci, O taxista, seguiu cantando os acordes de lamento.                                                                       

Babilak Bah.       

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