Vou vender a pele num ritual de antropofagia…

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A Pele minha civilização

Vou vender a pele
Num ritual de antropofagia
Ao poeta que devora tudo
Vive crise de ideologia
Faz psicanalise, viciado em orgia
Organiza movimento adora
Apologia come a própria carne
Proclama a autofagia

Estendo a pele
sobre arbustos
prego dilemas
no corpo robusto
engasgo com prego
perfuro o busto
desprego da letra
ofusco problemas
com muito custo
descabelo fonemas
de vários Augustos

signos encravados na pele,
fonemas debaixo dos pés
Triste são os dias
Sem inscrição na
Superfície das horas.
Músculos suportam
a matemática
Dos pensamentos:
A escrita da vida,
As ranhuras do tempo:
Pré-escrevem,
Pré-requisitos, com
letras raras,

No tecido de la vida,
teço pergaminhos
com pegadas precisas.
O texto passa a limpo
o excesso de pêlo
a obesidade dos signos.
Sinto um alfabeto
no coração,
Vocabulário escrito
no osso da perna.
Entre unhas e dentes
os pés pressentem:
Pensamentos.

A pele um pergaminho
Registro de outros gráficos
Pegadas de vários caminhos
Páginas de muitos diários
Logomarca, mídia de carne
Testamento de pêlo e osso
Papel timbrado com selo de
Garantia: escritura do corpo.

Quanto vale
a pele de Pelé?

A Pele minha civilização.

Babilak Bah

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