Madame Satã e todo dom da vida.

Madame Satã e todo dom da vida.

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O criador do Teatro Experimental do Negro, Abdias do Nasciemento estivesse vivo e assistisse a peça “Madame Satã” um musical que protagoniza a biografia de um dos mais peculiares personagens brasileiros, aquele que carregou a alcunha de primeiro travesti do Brasil. Assim como eu tive; ontem o privilegio de testemunhar este espetáculo poético sobretudo político que retrata de maneira metafórica a historia de muitos brasileiros, colocando em cena um tema que se torna invisível nas discussões políticas junto aos nossos parlamentares e instituições. Tenho certeza, que o Abdias sairia do Teatro Cine – Horto altamente emocionado como saiu a platéia neste sábado de abril, em um tempo de retrocesso político: terceirização, redução da maioridade penal e golpe contra a democracia.

Madame satã um espetáculo teatral de alto nível técnico, talento transbordante, formado por um grupo de artistas de alta qualidade. Um teatro musical com belíssimas cenas, um texto limpo, claro, esclarecedor, politizado em consonância com as idéias do Teatro Experimental do Negro com o objetivo de estimular a criação de novos textos, que sirvam aos seus propósitos. Sua diretriz é a temática ligada à situação do negro contendo a poética da corporeidade e elementos da cultura afro-religiosa perpassando a crítica social.

Madame Satã, sendo personagem escolhida pelo Grupo dos Dez para falar de um universo invisível: a prostituição, a pobreza, o racismo, a homofobia, a transfobia e toda a violência de uma sociedade hipócrita e calada frente ao preconceito e à intolerância vem marcar um momento muito importante para a cultura em Minas Gerais e no Brasil mediante as ameaças aos direitos civis que atravessamos na atualidade.

A trilha sonora é original, é um texto a parte, contendo instrumentos harmônicos e percussivos, permeado por vozes e canto numa afinação impecável que contribuem para uma riquíssima dramaturgia numa agradável escuta e sensações de hibridismo poético sonoro.

Quem não assistiu ainda este espetáculo, está perdendo um grande momento da cultura em Belo Horizonte, e testemunhar a afirmação, o talento de um grupo de artista afro-brasileiros comprometidos com a historia, com a arte sobretudo com a vida.

Eu fui, sai feliz, afetado pelo dom da vida, pela beleza – atravessado pela reflexão.

FICHA TÉCNICA DO ESPETÁCULO

Direção Geral: João das Neves e Rodrigo Jerônimo

Direção Musical: Bia Nogueira

Dramaturgia: Marcos Fábio de Faria e Rodrigo Jerônimo (Sob orientação de João das Neves)

Arranjo Musical: Alysson Salvador

Preparação Rítmica: Daniel Guedes

Preparação Corporal: Benjamin Abras

Iluminação: João das Neves

Cabelo e maquiagem: Xisto Lopes

Cenário e figurino: Cicero Miranda e Débora Alves

Assistente de cenário e figurino: João Paulo Sousa e Rodrigo Ianni

Confecção de sapatos: Helênio Lima

Equipe de apoio figurino: Ana Maria Faleiro e Zilanda Barroso

Elenco: Allysson Salvador, Bia Nogueira, Daniel Guedes, Denilson Tourinho, Evandro Nunes, Flor Bevacqua, Gabriel Coupe, Julia Dias, Kátia Aracelle, Laís Lacôrte, Nath Rodrigues, Rodrigo Ferrari, Rodrigo Jerônimo, Thiago

A foto:

Não encontrei o autor. Peço desculpas.

Babilak Bah

5 Respostas para “Madame Satã e todo dom da vida.”

  1. A foto é do Guto Muniz -focoincena.com.br

  2. É assim que a vida real – escapando aos esteriótipos – de alguma forma nos singulariza. Axé!

  3. Elisângela Souza Says:

    Que lindo! Que orgulho desta nossa gente! ❤

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