Babilak Bah e a máscara sonora.

Na segunda quinzena de janeiro; realizei viagem pelo oeste baiano, região que está localizado o Zambiapunga, grupo cultural que tem origem na raiz  banto. O grupo utiliza na sua exploração musical vários objetos de trabalho como enxada, búzios, ferramentas de pesca, alinhados com tambores e cuíca em sua manifestação cultural. 
 
Revistando-me através dessas paisagens brasileiras, dando prosseguimento a pesquisa, relacionada ao elemento ferro, acrescentando neste percurso, o horizonte sonoro, numa perspectiva da utilização da máscara  como um recurso imagético, sobretudo de linguagem, com o objetivo da ampliação de sentido, por meio do exercício da performance artístico mágico ancestral. 
 
Portanto, na elaboração desse procedimento, seguindo esta via de expressão; tendo acesso a um sentimento, marcado pela magia, creio norteado pela coincidência, será ?. Sendo assim, tive uma grata surpresa ao me deparar com um conjunto de mascara na residência que fiquei hospedado, esta experiência levou-me a uma viagem histórica: a horizontes culturais da civilização banta introduzida em terras Brasílis. 
 
As contribuições artísticas, linguísticas e religiosas da etnia banto em nosso pais são atualmente identificadas por diversos estudiosos, são reconhecidas em nosso cotidiano cultural, sobretudo vivenciados por diversos brasileiros que perpassam desde do samba, as manifestações religiosas, na culinária, ainda colaborando com palavras que foram incorporada em nosso vocabulário. 
 
Uma das contribuições do povo bantu foi o desenvolvimento da metalurgia. Os mesmos atribuíam ao elemento ferro um sentido sagrado. Por outro lado, as máscaras sempre foram as protagonistas indiscutíveis da arte africana. Entretanto, a Máscara tem origem no latim mascus ou masca = “fantasma”, ou no árabe maskharah = “palhaço”, “homem disfarçado”
 
Em todas as culturas há uma crença de que as máscaras possuí determinadas virtudes extrahumana, para os africanos não seria diferente, as máscaras representam um disfarce místico com o qual poderiam absorver forças mágicas dos espíritos e assim utilizá-las em benefício da comunidade: na cura de doentes, em rituais fúnebres, cerimônias de iniciação, casamentos, nascimentos e para identificar os membros de certas sociedades secretas.
 
A utilização do objeto máscara na cultura do universo africano tem funções diversas, além de protagonizar disfarce, as vezes, demarca a identificação de símbolos, esconder revelar, transfiguração, representação de  espíritos da natureza, deuses, antepassados, seres sobrenaturais ou rosto de animais. Em outro momento, esta utilização, proporciona a interação com dança ou as vezes significando mero adereço.
 
Neste pequeno vídeo: documento sonoro, podemos correr o risco de dizer ou simplesmente afirmar, trata-se de um registro etnográfico existencial, realizado sem pretensão, em vista disso, alinha-se a topografia do improviso, segue no sentido de representar um encontro expressivo, vivido pelo acaso no espaço/tempo, num diálogo entre o  simbólico e o real numa conexão com a memória, desse modo, exibe uma vibração determinada por uma sonoridade, na qual revela uma textura de timbres, em ressonância com uma voz mito-fonética, dessa maneira, expõe uma poieses que vibra em um corpo, um imaginário que expande-se para além da cosmologia da lembrança. 
 
Vídeo Ana Paula 
 
Babilak Bah. 

Uma resposta para “Babilak Bah e a máscara sonora.”

  1. Marquinhos Cardoso Says:

    Bantus podem ser compreendidos como uma unidade linguística a partir de grupos étnicos diversos mesmo que tenham profundas similaridades culturais e religiosas.

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