Geografia da morte que revela a cultura do sepultamento seletivo.

Geografia da morte que revela a cultura do sepultamento seletivo.

1 azulMotivado por uma inquietude, no sentido de compreender um pouco da história do Brasil, desde tenra idade, tive a curiosidade de investigar os acontecimentos que envolviam os africanos escravizados em terras brasileiras. O despertar teve inicio na Paraíba, depois se estendeu por Pernambuco, São Luiz do Maranhão, Salvador e Minas Gerais.6 acruz soEssa inquietação já me levou a muitos territórios, sobretudo a contextos históricos que me provocaram emoções profundas, vamos dizer, assim, perturbadoras. Por exemplo, ter conhecido o cemitérios do Valongo no Rio de janeiro, foi uma experiência de muita emoção, onde fui invadido por tristezas que machucaram os sentidos.

O Valongo é um Cemitério que foi criado originalmente em 1722 e remonta ao histórico de sepultamentos de escravos no Rio de Janeiro. Naquele momento, havia uma demanda de enterros de escravos que não conseguia ser cumprida, tendo em vista o incremento do tráfico negreiro, cada vez mais intenso. Para solucionar o problema, foi criado um cemitério somente de pretos novos, alcunha utilizada para caracterizar os africanos escravizados recém chegados na terra que daria origem ao samba. 2a missaAinda nos anos 90, numa passagem pela cidade de Alcântara no Maranhão, vivi uma sensação impactante, quando atravessei a Rua da Amargura, local onde africanos eram castigados. Essa experiência, provocou uma introspecção histórica, revolta e angustia em DO MAIOR. 5 pedras

Dando prosseguimento, a essa procura ancestral, neste final de semana, presenciei uma emoção marcada por uma consciência histórica, contemplação estética, ao participar de uma Missa Conga em um pequeno lugarejo no município de Carmo do Cajuru, na região de Divinópolis no interior de Minas Gerais, esse acontecimento foi uma realização da Irmandade Nossa Senhora do Rosário fundada em 1883. A missa aconteceu em um cemitério que está em ruinas, no referido cemitério, segundo informações que colhi das pessoas mais antiga da região, trata-se de um cemitério que enterravam, escravos, deficientes e doentes mentais na época. 3 visaoO cenário e o ambiente da missa, foi um misto de beleza e geografia da morte que revela a cultura do sepultamento seletivo no país, toda essa cerimonia realizada com música, devoção e respeito a memória aos antepassados. 33098921_2140480056195927_3450321840772218880_nDepois da missa, aconteceu um almoço coletivo em uma residência de um membro da Irmandade, no qual, reuniu as duas Guardas envolvidas: de congo e Moçambique, no encontro do sagrado que reverenciavam Nossa Senhora do Rosário, com a presença de familiares, crianças de várias idades e jovens, foi um encontro para renovação das emergias que revitalizam as esperanças.

Vi ali naquele terreiro um Brasil que deu certo.

Babilak Bah.

 

 

 

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