“Os homens são o que são” – Nossa Senhora da Açoteia

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Ontem tive a satisfação de assistir o espetáculo teatral de Adyr Assumpção: NOSSA SENHORA DA AÇOTEIA, como explica o relesse da peça a história é sobre mulheres. O texto fala de como elas atravessam gerações assoladas pelo subjugamento masculino e pelas desigualdades impostas pelas sociedades patriarcais.Curiosamente, no palco está um único homem, dando voz a todas essas questões femininas. Com essa estrutura aparentemente controversa, no entanto, durante 60 minutos, Assumpção, realiza um monologo com um desempenho estrondoso, munido de um talento e equilíbrio magistral,numa narrativa que explora a condição feminina, as vezes com denuncias sutis e uma poeticidade carregada de silêncio, recheadas de pausas, gestos e olhares que expressam inúmeras palavras e sabedoria universal.

É importante dizer, NOSSA SENHORA DA AÇOTEIA é uma peça originalmente feita por um homem, esse achado do artista, pareceu-me tecnicamente imbatível. nesse paradoxo,  vi uma importância que realça a riqueza da historia, que o texto conta, e o ator faz questão de nos contar sem auxilio da canção. O enredo é permeado de um mistério.

Por outro lado, a ousadia da proposta agrada a todos profundamente, creio, a plateia que se fez presente ontem no Sesc Palladium, diga passagem, um publico atento aos movimentos do ator em cena, também na luz e cenário marcado por uma simplicidade e beleza domestica. A plateia, dividida entre homens e mulheres, e ao final, um longo aplauso e demorado. Podemos afirmar, muitos que assistiram, saíram empoderados do espetáculo e cheio de reflexão.

Vale ressaltar, o viés engajado, extremamente politico, sobretudo da possibilidade de fortalecimento do feminino. A peça tem um conceito provocativo, no sentido de não direcionar uma única leitura. O espetáculo permite cada um tirar as próprias conclusões sobre a história pessoal e a historia em seu aspecto macro, além de tudo, como afirma, o ator: ”trata-se de uma oportunidade para o exercício da empatia e da reflexão sobre a dificuldade de os homens entenderem as mulheres como iguais, como parceiras”,

Eu, por exemplo, durante o espetáculo, revi a minha avó, minha mãe, minhas tias, filha, sobrinhas, sogras, namorada, ex-mulher, esposa, chefe e amiga de trabalho e todo feminino que me atravessa.

No final, Adyr Assumpção, abriu um debate sobre o crime de Brumadinho,

Fica o convite para hoje, vai lá.
NOSSA SENHORA DA AÇOTEIA

Texto de Luis Campião. Direção, adaptação e interpretação de Adyr Assumpção. Hoje no SESC PALLADIUM.

 

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