Archive for the Textos sobre cultura Category

Um poeta em doelo.

Posted in Textos sobre cultura on fevereiro 25, 2015 by babilakbah

Um poeta em doelo.
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Tive a satisfação de ler na semana passada o livro: doelo do poeta Marcos Fabrício Lopes da Silva.

Li e reli com atenção, fui tomado por um prazer tranquilo que me inundou de sorrisos, me povoou de imagens, provocando-me largueza no espírito. O Poeta fala de coisas simples, captura momentos que passa despercebido, quando a normalidade é dividida por dois pelos viventes. Traz para o campo do sentido, a poética das situações comuns, flagra instantes preciosos do cotidiano, percebe lances da vida corriqueira com potência criativa, recheado de humor. Ao ler o doelo, o leitor tem a certeza de que o poeta Marco Fabrício é uma grafia firme que não nega o chão que pisa, no entanto, tudo que cai em sua cabeça ou atravessa seu campo de visão vira poema: o banal é incorporado pela poesia.

Em um doelo constante com seu outro, o poeta, tem o hábito de:

Urubuservar,
enxergar o buraco que há
na moldura do olhar.

Desta forma, revela micro-mundos de delicadeza, desperta sentidos como alguém que se atreve a traduzir signos simplório da vida e, através da linguagem sempre se lança a pensar, construir pontes de contatos entre os pontos de vista de seu eu poético embalado por uma crítica social, denuncia uma sociedade dominada pelo:

PITBULL DE MICROFONE cabelo engomado com terno sem ternura todo engravatado.

O poeta Marcos, marcado com um papo reto, poemas curtos, silencia a curva do pensamento com metáforas que as vezes parece flash publicitário. No entanto, o poeta afirma:

medo não são placa de pare,
mas de atenção:
siga melhor,

e conclui:

o homem precisa voar para saber melhor andar.

Melhor bye, bye
Do que me deixar
De stand by.

Marcos é um poeta que se veste de livro, seu texto é tão próximo da oralidade que o doelo conversa com leitores abertos.

Sobre o autor:

Marcos Fabrício Lopes da Silva.
Nasceu em Brasília. Formado em jornalismo, pelo Centro Universitário de Brasília (UniCEUB) o poeta afro-brasileiro é doutor em literatura Brasileira pela Universidade Federal de Minas Gerais e professor universitário pelas faculdades Forttium e JK, ambas no Distrito Federal.

Babilak Bah.
Musico, poeta e arteeducador.

Finalizar um livro e uma imensa felicidade: O Alerquim da pauliceia

Posted in Textos sobre cultura on novembro 8, 2014 by babilakbah

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Ontem cheguei ao fim do livro: Arlequim da Pauliceia: a imagem de São Paulo na poesia de Mario de Andrade. Finalizar um livro e uma imensa felicidade.

Os dois últimos parágrafos do livro:

Assim diante do rio que se degrada, com alma e símbolo da própria cidade, o poeta depõe as armas de seu canto. Nas águas oleosas e escura, que representam o destino errado da cidade, o eu lírico mergulha e se entrega, encerrando solenemente sua eterna busca, sua utópica poética. Esse mergulho é um rito sacrificial, é o simbólico retorno ao elemento original, a água fundadora da vida e da cidade.

Nesse seu último lance de dados, o poeta transforma sua eterna busca de identidade num símbolo, incorporando-se à massa física da cidade por meio do mergulho lírico nas águas do pai Tietê. As figuras representativas do sentimento do poeta fundem-se na aqui-imagem de sua obra poética: Mario-rio-cidade, Mariocidade, São Paulo.

Ao finalizar a leitura fiquei com questão: se Mario de Andrade estivesse vivo hoje, como iria vivencia a crise de água da cidade de São Paulo, que impacto teria em sua poética?

Babilak Bah

Rever e ouvir Itamar Assumpção.

Posted in Textos sobre cultura on abril 15, 2014 by babilakbah

Rever e ouvir Itamar Assumpção.

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Sempre bom rever e ouvir Itamar Assumpção, sua figura emblemática, sua fala grave cheia de sabedoria e radicalidade.
Há dias, medito sobre as falas de Assumpção que ele proferiu no Programa Ensaio, não precisamente nessa ordem com está nesse escrito.
Mas vamos direto ao ponto. O autor de Beleléu, diz: aqui no Brasil as pessoas ficam dizendo que são brancas, eu estive na Alemanha lá vi o que é ser branco, aqui todos são mestiços. Depois tive a oportunidade de ir África, e lá vi tudo preto, e eu não estou acostumado com isto. E conclui: meu olhos sentem necessidade da diversidade.
E o programa vai seguindo com Assumpção fazendo revelações maravilhosas sobre a vida e sua visão de mundo.
Aborda sobre a família, a relação com pai, seu encontro com o candomblé, a influencia dessa religião em sua musica e transcorre por outros assuntos duros e outros bons de se ouvir.
Dentre as inúmera pérolas que Itamar despeja no programa:
Ele diz: tem alguns que não tem esta coisa da harmonia e outros, o lance é o ritmo, a batida forte.
Minha musica é esta onda de ritmo sobreposto, não tem uma classificação: não faço samba, samba eu deixo para Paulinho da Viola e Martinho da Vila.
Não tenho esta necessidade de buscar as minhas origens.
Saber que meus ancestrais vieram da África isto já me basta.
Eu não tenho esta preocupação de ficar rico a qualquer custo, minha preocupação é realizar a minha missão de ser artista – minha musica já me dá muito trabalho.
Há dias estas palavras me desarmonizam – fazendo-me pensar com a identificação.

Babilak Bah.

Johnny Herno – na Malasia

Posted in Textos sobre cultura on abril 14, 2014 by babilakbah

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O Homem Mitológico – a forma como eu gosto de defini-lo, o amigo, Johnny Herno musico talentoso e de uma personalidade extraordinária. Mostrar seu talento em um festival na Malásia. Sucesso camarada e boa vibrações.
Confira o talento do Johny Herno: http://palcomp3.com/johnnyherno/

Banda de cá, banda de lá – Umbanda para crianças.

Posted in Textos sobre cultura on abril 3, 2014 by babilakbah

Banda de cá, banda de lá – Umbanda para crianças.

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 Ontem tive a felicidade de ganhar alguns livros, entre os demais veio um livro infantil que me chamou bastante atenção. Trata-se do livro: Banda de cá, banda de lá – Umbanda para crianças – de Mariana Ramos de Morais a autora apresenta, de forma poética, a umbamba para as crianças. O livro brinca com as palavras mostrando o sincretismo presente nessa religião afro-brasileira. Num clima alegre, lúdico, e assim, evoca as sete linhas de umbanda que iluminam o Juremá. Composto por versos livres, numa narrativa que parece cantiga de roda. Outro detalhe riquíssimo do livro é a ilustração realizada por Sandra Bianchi que traduz esse universo para as paginas do livro com muita poesia e cor. Esta graciosa obra da literatura infantil, é uma ótima pedida para quem deseja apresentar aos filhos a diversidade da cultura brasileira e apresentar ao mundo infantil um tema tão complexo e cheio de tabu dentro da escola tradicional que é a temática da religião afro-brasileira.

Por fim, o livro conta com um glossário referente ao universo religioso da umbanda, creio, que as crianças, pai e educadores vão fazer uma festa na leitura dessas palavras e um novo mundo nascerá na imaginação de nossas crianças.

O livro Banda de cá, banda de lá – Umbanda para crianças conta com apoio da Lei Municipal de incentivo a Cultura de Belo Horizonte.

Laroiê Exu¡ a informação chegando para os erês.

Babilak Bah

Baianas ousadas e mineiros atrevidos criam uma nova paisagem carnavalesca em Belo Horizonte.

Posted in Textos sobre cultura on março 7, 2014 by babilakbah

Baianas ousadas e mineiros atrevidos criam uma nova paisagem carnavalesca em Belo Horizonte.

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Nesse Carnaval tive a oportunidade de acompanhar a ousadia de alguns blocos e me diverti por inteiro. No entanto, esta minha atitude de folião não me impede de refletir sobre o Carnaval de Belo Horizonte que cresce vertiginosamente e cria muitos adeptos nos quatros cantos da capital. Os blocos imprimem no momento na capital mineira uma alegria que incendeia, estabelecendo uma provocação muito interessante que merece uma reflexão apurada para os que pensam e fazem cultura em BH. Diante de tanta folia, concluo que o meu corpo pensa de forma diferente da minha cabeça: quando estive pulando nada pensei, mas quando parei de rodopiar me veio um bloco de questões que tumultuaram.

O que presenciamos no Carnaval de Belo Horizonte foi um fenômeno de encontros e transformações comportamentais. Confesso que me contagia profundamente ver as ruas da cidade ocupadas por foliões, crianças, músicos, artistas de todas as linguagens e, sobretudo, cidadãos perseguindo a alegria de maneira digna e pacifica de vivenciar a cidade.

Entretanto, quando paro no meio da avenida, pergunto-me: este Carnaval de Belo Horizonte vai desaguar aonde?  Qual será o seu futuro?

Teve situações o que  percebi foi uma reedição de carnavais de outras cidades, mas também percebi um esforço de vários blocos que procuraram dar uma fisionomia belo-horizontina ao Carnaval dentro das montanhas.

Eu me pergunto: será que Belo Horizonte vai criar um repertório para o Carnaval que vem crescendo e se ampliando? Imprimir para o país um novo som carnavalesco para o carnaval brasileiro como o fez os baianos e os pernambucanos? Eu não tenho esta resposta, mas entendo que BH não é Recife nem tão pouco Salvador. Sem sombra de dúvida, há um potencial criativo nesta cidade que pode surpreender o país. Acredito que seja este o desafio da cultura carnavalesca que se ergue na capital das harmonias: criar e estabelecer um novo parâmetro para o Carnaval, avançar no aspecto renovador, mostrar sua diferença, definir suas provocações, transformando comportamentos e atualizando com uma nova sonoridade, eliminar o mito do mineiro tímido e mostrar seu atrevimento criativo, ousado e renovador. Com isto  deixar surgir a mineirice atrevida pelas ruas durante a festa momesca.

Sair pelas ruas de BH e pelas regionais no compasso do samba, ao som de marchinhas e da batida dos afoxés me fez perceber que o sinal foi aberto para o Carnaval implementando inúmeras  possibilidades criativas e empreendimentos. Como se fará esta travessia criativa? Como os artistas vão articular esta possibilidade? Como o poder público vai também viabilizar esta cultura juntamente com a comunidade civil e o movimento artístico, a cada ano, promovendo-a e pautando outros modelos? Fica ai o desafio para toda a comunidade.

Por fim, vejo que não terá mais retorno viver em Belo Horizonte sem carnavais futuros. Daqui pra frente necessitamos de folias dentro de uma perspectiva reivindicativa, plugada com as necessidades sociais da cidade. A população deseja dançar, criar uma cidadania para alegria que ela seja nossa fantasia identitária cada vez mais ousada e atrevida, que venha outros carnavais nos revelar acontecimentos e novos horizontes. Carnavalizar a nossa angustia, estabelecer um estado de alegria é absolutamente a maior subversão.

Babilak Bah

O filme: Dicionário de cama.

Posted in Textos sobre cultura on fevereiro 10, 2014 by babilakbah
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Dicionário de cama.
Ontem assisti o filme: Dicionário de cama de Guy Jenkin produzindo em 2002) mostra o jovem oficial inglês John Truscott enviado pelo governo britânico ao povoado de Sarawak para ajudar no processo de colonização de um
grupo étnico que vivem nas florestas da Malásia.
A tarefa não é fácil. Os nativos possuem costumes e tradições peculiares e há também a barreira do idioma, incompreensível para o inglês. Como solução, os chefes locais oferecem ao estrangeiro um dicionário de cama que trata-se de uma bela moça que vai lhe ensinar os costumes e a língua local consequentemente, aprender o inglês e os costumes dos ingleses nessa relação vida diária e os prazeres da vida vivido na cama.
Um filme bem interessante, uma passagem do filme me chamou atenção: um chefe diz para o enviado inglês:
– A melhor maneira de se conhecer e aprender uma língua é na cama.
Uma trama romântica, luta política e conflito cultural.
Babilak Bah
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