Geografia da morte que revela a cultura do sepultamento seletivo.

Posted in Sem categoria on maio 21, 2018 by babilakbah

Geografia da morte que revela a cultura do sepultamento seletivo.

1 azulMotivado por uma inquietude, no sentido de compreender um pouco da história do Brasil, desde tenra idade, tive a curiosidade de investigar os acontecimentos que envolviam os africanos escravizados em terras brasileiras. O despertar teve inicio na Paraíba, depois se estendeu por Pernambuco, São Luiz do Maranhão, Salvador e Minas Gerais.6 acruz soEssa inquietação já me levou a muitos territórios, sobretudo a contextos históricos que me provocaram emoções profundas, vamos dizer, assim, perturbadoras. Por exemplo, ter conhecido o cemitérios do Valongo no Rio de janeiro, foi uma experiência de muita emoção, onde fui invadido por tristezas que machucaram os sentidos.

O Valongo é um Cemitério que foi criado originalmente em 1722 e remonta ao histórico de sepultamentos de escravos no Rio de Janeiro. Naquele momento, havia uma demanda de enterros de escravos que não conseguia ser cumprida, tendo em vista o incremento do tráfico negreiro, cada vez mais intenso. Para solucionar o problema, foi criado um cemitério somente de pretos novos, alcunha utilizada para caracterizar os africanos escravizados recém chegados na terra que daria origem ao samba. 2a missaAinda nos anos 90, numa passagem pela cidade de Alcântara no Maranhão, vivi uma sensação impactante, quando atravessei a Rua da Amargura, local onde africanos eram castigados. Essa experiência, provocou uma introspecção histórica, revolta e angustia em DO MAIOR. 5 pedras

Dando prosseguimento, a essa procura ancestral, neste final de semana, presenciei uma emoção marcada por uma consciência histórica, contemplação estética, ao participar de uma Missa Conga em um pequeno lugarejo no município de Carmo do Cajuru, na região de Divinópolis no interior de Minas Gerais, esse acontecimento foi uma realização da Irmandade Nossa Senhora do Rosário fundada em 1883. A missa aconteceu em um cemitério que está em ruinas, no referido cemitério, segundo informações que colhi das pessoas mais antiga da região, trata-se de um cemitério que enterravam, escravos, deficientes e doentes mentais na época. 3 visaoO cenário e o ambiente da missa, foi um misto de beleza e geografia da morte que revela a cultura do sepultamento seletivo no país, toda essa cerimonia realizada com música, devoção e respeito a memória aos antepassados. 33098921_2140480056195927_3450321840772218880_nDepois da missa, aconteceu um almoço coletivo em uma residência de um membro da Irmandade, no qual, reuniu as duas Guardas envolvidas: de congo e Moçambique, no encontro do sagrado que reverenciavam Nossa Senhora do Rosário, com a presença de familiares, crianças de várias idades e jovens, foi um encontro para renovação das emergias que revitalizam as esperanças.

Vi ali naquele terreiro um Brasil que deu certo.

Babilak Bah.

 

 

 

Trem Tan Tan na Câmara Municipal de Belo Horizonte.

Posted in Sem categoria on maio 2, 2018 by babilakbah

 

trem tan tanA Câmara Municipal de Belo Horizonte vai homenagear os 30 anos da Luta Antimanciomial, em especial, o Fórum Mineiro de Saúde Mental amanha as 19 horas e o grupo Trem Tan Tan estará participando da cerimonia com um pocket show dentro referido evento.

O grupo Trem Tan Tan, criado em 2001, formado por beneficiários do programa de saúde mental da Prefeitura de Belo Horizonte. Tem em seu nome uma referência aos trens típicos da década de 1980, que transportava pacientes de manicômios de Belo Horizonte para o Hospital Colônia, o “grande manicômio” de Barbacena.

As músicas do grupo são inspiradas nas experiências dos próprios integrantes, pessoas com sofrimento mental que se valem das canções para denunciar preconceitos e desmitificar ideias associadas à loucura.trem tan tan sambabilolado e outro stan tansO grupo já tem dois CDs no currículo, ‘Trem Tan Tan’, de 2002, e Sambabilolado de 2007 e o DVD Sambabilolado e Outros Tan Tans de 2015, além de ter se apresentado em vários eventos importante pelo estado de Minas Gerais e outros estados do pais. O grupo já foi premiado pelo Ministério da saúde e recebeu o prêmio pelo edital de culturas populares.

O Trem Tan Tan, tem a coordenação do músico e poeta Babilak Bah.

Mauro (e), Alexander e Carlos - à frenteBabilak Bah.

Por onde o fogo entra.

Posted in Sem categoria on abril 25, 2018 by babilakbah

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I

Por onde

Te atinjo mais?

Coração

Tua alma

Teu corpo

ou tua libido?

II

Por onde

entro

mais em ti,

Boca,

Verso ou ouvido?

III

Tenho dúvida

Se um dia

beijo

Teus pés.

IV

Me aninho

Em teu

Umbigo…

V

O céu

do fogo

amigo…

Babilak Bah.

 

Há muitas vozes no canto de Raphael Sales

Posted in Sem categoria on abril 24, 2018 by babilakbah
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Há muitas vozes que compõe e confluem para o talento de Rafhael Sales,

O jovem compositor é um sal, um paradoxo, com sua doce melodia e canto leve, sofisticado extremamente irmanado de negritude, contudo forjado de sentimento ubuntu.

E canta:

‘’Reina fogo, reina fogo, reina

Quanto mais calor mais cor

Por onde eu for

Ilumina minha visão

Por favor“

Violinista e filho de Xangô, trás consigo a “harmonia do mundo“ o entendimento dos contrastes, no entanto, com ironia poética e consciência de onde veio, canta as dores, os sentimentos profundos que habita a memoria de seus acordes,  explicito na musica: Os Mininim.

‘’Os cabelos dos mininim

Era baixim e raspadim

Era pretim e enroladim

Os mininim

Os calcanhar dos mininim

Era mais duro que o chão

Machucadim e rachadim

Os mininim“

Segue atento, acordado para as aflições dos humanos, portanto, sabe dos direitos sociais e politico de seu tempo, de sua gente. Musico habilidoso, de canto afinado com o momento histórico em que vive, e assim, ambiciona voos e inúmeras liberdades, mesmo quando atravessa o caos, tem lembranças dos tempos de seu quintal, na belíssima canção Ipê.

“Quando passo por caminhos

Mato seco cinza sazonal

Eu avisto o imponente colorido seu

Contrariando os que pensam que a natureza morreu”

Em Contagem regressiva, com sua invenção, para o artista tudo é motivo criador desde que não entristeça as águas, na canção, Terra,Raphael canta:

“Povo meu nasceu do corpo dela“

Sales, acaba de ingressar no grupo dos compositores, da nova geração nascido em terras mineiras, com o recente álbum autoral, lançado de forma independente e colaborativa. O Cd é carregado da essência das energias elementais e forças míticas, sem ingenuidade técnica ou crueza estética, além de ter um olhar amplo delicado para os ritmos que movimenta e lhe  impulsiona para o gesto cancional.

Raphael, para chegar até aqui, fez uma travessia que soa  FUNDAMENTAL traz consigo um coletivo, um grupo de artistas, músicos e apoiadores que acreditaram na força de suas águas, em suas ideias sobretudo em seu talento que reflete um posicionamento renovador e necessário nesses tempos onde as relações são monetizada, onde o dinheiro é um fundamento que compra tudo.

O Cd “Fundamental“ surge como um movimento que articula novas ideias, com possibilidades inovadoras para um congresso internacional do amor, ou seja, um tempo de renovação. O álbum composto de 10 canções, em cada faixa, foi escrito um mini-conto que realiza um belíssimo dialogo com o sentimento das canções.

Raphael Sales, chega com voz, um vigor como fonte que faz jorrar água.

Babilak Bah.

 

Babilak Bah na UEMG

Posted in Sem categoria on abril 22, 2018 by babilakbah

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Nesta sexta, dia 20 de abril tive a satisfação de realizar uma atividade formativa, junto dos estudantes do estágio supervisionado e alunos do quinto e sétimo período do curso de Licenciatura em Música em Educação Musical Escolar na Escola de Música da Universidade do Estado de Minas Gerais. (UEMG) campos localizado no bairro Padre Estarquio em Belo Horizonte.

Foi uma experiência riquíssima, sobretudo valiosa na qual, abordei os aspectos do processo criativo tanto do meu trabalho autoral, como no trabalho desenvolvido em arte-educação, nesses últimos 15 anos na capital mineira que possibilitou com o surgimento do grupo Trem Tan Tan, o aparecimento do grupo enxadário, estética da enxada e outros produtos estéticos.

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Abordagem transcorreu também pelas questões transversais como: minha origem, como cheguei na musica (na arte) a inquietação existencial, a relação entre a palavra e o ritmo, a saída de João Pessoa – PB, a produção independente, as viagens, a chegada em Belo Horizonte, a metodologia utilizada com pessoas portadores de sofrimento psíquicos, a cultura nordestina, o negro e o racismo, o momento atual da politica cultural e o mercado da musica,

Para finalizar, realizei uma dinâmica em grupo, tendo como base o ritmo, a palavra e o corpo em cena, utilizando os enxadigmas.

Grato professora Sônia Assis pelo convite e a oportunidade.

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Babilak Bah

 

 

 

Markin Cardoso em debate sobre racismo no Cersam AD Pampulha

Posted in Sem categoria on março 2, 2018 by babilakbah

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Dando início às comemorações dos 10 anos do Cersam AD Pampulha tivemos a felicidade de abrir essa data comemorativa com uma Roda de Conversa com a presença do professor e filósofo Marcos Cardoso, mestre em história social e militante do Movimento Negro. Destinada a usuários em uso abusivo de álcool e outras drogas, a roda de conversa contou ainda com a participação de alguns profissionais da saúde e uma pessoa dos serviços gerais, tendo como tema as problemáticas do racismo e o preconceito racial no Brasil.

O professor Marcos Cardoso iniciou a conversa de maneira informal, deixando todos à vontade, fazendo o diálogo fruir e possibilitando a interação. A princípio o professor fez uma abordagem sobre a história do MNU – Movmento Negro Unificado, contando como surgiu o movimento negro brasileiro, além de destacar algumas situações de racismo que marcaram o surgimento do MNU no Brasil.

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A Roda transcorreu de maneira interessante obtendo uma participação marcante dos usuários, podemos dizer até que de forma surpreendente, pois os participantes tiveram um comportamento diferenciado, deixando-se conduzir pelo assunto, demostrando interesse e profundo envolvimento, apesar de em alguns instantes saírem do tema abordado. No entanto, é importante entendermos que essa ação denota um processo pedagógico de extrema relevância para com essa clientela, como destacou Marcos Cardoso, sobre a importância das atividades de subjetivação cultural no sentido de promover a afirmação das potencialidades individuais e suas identidades.

Cardoso, fundamentado em seu lugar de fala, buscou ampliar o processo de reflexão, procurou desenvolver seu pensamento a partir dos efeitos negativos provocado pelo racismo, destrinchando o preconceito racial na sociedade brasileira, revelando também as nuanças e as estratégias que foram implementadas desde o período colonial até a contemporaneidade. Da mesma forma, apresentou um breve panorama sobre o preconceito institucional, bem como o preconceito linguístico utilizado no cotidiano da sociedade brasileira que reafirma esse preconceito, de forma por vezes inconsciente; o racismo à brasileira, podendo atestar assim.

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A saber, foram também colocadas várias exemplificações sobre: “o negro parado é suspeito correndo é ladrão”. E citou inúmeros exemplos.

Neste momento realizou um breve comentário sobre a atuação da polícia com a comunidade negra, abrindo um questionamento sobre esse imaginário, no qual o sujeito negro é sempre considerado suspeito.

Prosseguindo foi enfático quando fez o recorte sobre a perseguição sofrida pelos grupos minoritários como os indígenas, as mulheres e outros grupos estigmatizados que sofrem discriminação pela cultura hegemônica, machista e homofóbica, evidenciando o racismo sofrido pela população negra, principalmente a oriunda de comunidades da periferia. Consequentemente, a juventude negra discorreu também sobre o adoecimento provocado pela cultura racista, os impactos da intolerância religiosa e das várias formas sutis de preconceitos, colocando o racismo como uma ideologia universal de opressão. Quando foi perguntado se em outros países havia racismo ou preconceitos de cor esclareceu que o racismo está imposto aos povos que saíram da África como escravizados que ajudaram o desenvolvimento econômico e cultural das diásporas, como os Estados Unidos, Caribe, Cuba e América Latina.

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Volto a reiterar a participação dos usuários no processo reflexivo e de análise dessa conjuntura racista apresentada pelo filósofo Marcos Cardoso, sendo protagonistas de perguntas pertinente, mesmo que, por vezes, ao mesmo tempo em que se viam envolvidos na reflexão, às vezes se perdiam com colocações que fugiam da questão debatida, sem deixar de ser interessante o questionamento levantado pelos demais inseridos no contexto da Roda de Conversa, mesmo quando o assunto escapulia da curva discursiva.

Outro dado que merece ressalva, foram os momentos de tensão, como por exemplo quando foram abordados o assunto religioso e os preconceitos atribuídos à religião de matriz africana, sendo um capítulo à parte, dentro da Roda de discursão, no qual a agressividade veio à tona. No entanto, nada soa estranho, entendemos que anjos, orixás e poetas também entram em luta corporal.

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Por fim, quero destacar dois pontos que marcam esse início de comemoração dos 10 anos juntamente com a abertura do ciclo de debates como forma de alfabetização cultural para uma humanização, tanto dos usuários como da nossa equipe.

Primeiro destaque, preocupado com a realização desse evento tive a ideia de guardar todos os colchões, querendo com essa atitude evitar o esvaziamento, sobretudo para não ver os usuários deitados e espalhados pelo salão, procurei dar um caráter mais cerimonioso, estabelecer determinada postura; interferindo no cotidiano desses e do serviço. Portanto, confesso que fiquei apreensivo com a reação dos demais, por ter sugerido que guardassem os colchões, apesar disso foi tranquilo.

Segundo ponto a destacar foi a ponderação realizada por Sanderson Borborema, quando fez afirmativa de que há no Cersam um fenômeno que ele classifica como “coitadismo“ protagonizado pelos usuários. Ele afirma que existe uma potência nesses indivíduos que frequentam o serviço e reiterou que eles precisam fazer do Cersam um ambiente de passagem, mas acaba acontecendo o contrário, findam por se acomodar em função dos vales, da comida e outros ganhos.

Creio que esses usuários nos deram uma chave, um tema que poderíamos discutir numa roda de conversa: o coitadismo dos usuários ou acomodação? Fica aqui a indagação.

No mais, foi uma boa largada para as comemorações dos 10 anos do Cersam AD Pampulha. Cersan vivo – Viva!!!

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Babilak Bah.

Belo Horizonte – Fevereiro de 2018

 

 

 

Saravá ¡¡¡¡¡¡ Alegria é um fenômeno subversivo.

Posted in Sem categoria on fevereiro 14, 2018 by babilakbah

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Para despejar luz na multidão é necessário tê-la, talvez foi isto que Vinicius de Morais tentou transmitir no Samba da Benção: “É melhor ser alegre que ser triste, Alegria é a melhor coisa que existe É assim como a luz no coração”.

Foi o que senti ontem ao acompanhar o Bloco Magnólia em plena rua Magnólia no Caiçara guiada pelo talento do trombonista Leonardo Brasilino com um grupo de músicos do mesmo quilate e entrega ao acontecimento sonoro.

O Bloco composto com tuba, trombone, trumpet e uma percussão discreta e minimalista irradiando beleza e energia que incendiou a multidão que cortava as ruas do caiçara numa tarde inesquecível, de paz, musica de qualidade e jazzfolia.

Grato Leonardo Brasilino e parabéns ao Bloco Magnólia por esta terça-feira de carnaval ao reunir tanta gente bonita.

Saravá ¡¡¡¡¡¡ Alegria é um fenômeno subversivo.

 

Foto: não sei o autor.

Corações na rachadura.

Posted in Sem categoria on janeiro 14, 2018 by babilakbah

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Rua Ligúria nº 70.

Ao adentrar pelo portão principal, descer pequenas escadas, alguém muito atento pode se deparar com vários corações desenhado pelo chão em pleno pátio.

Os coração que atravessam o pátio debaixo do céu; atropelados pelos acontecimentos do dia-a-dia, talvez passem despercebidos por muitas pessoas, que ali frequentam e trabalham. Esta ação criativa foi motivada por uma festa de aniversário dos nove anos do Cersam AD Pampulha, que teve como tema: “a gentileza e a generosidade“. Foram estas palavras carregadas de sentimentos que deram sentido a celebração.

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Dentre todos aqueles corações que ilustram o chão e emitem mensagens de paz e amor fraterno, dois corações desenhados na rachadura tendo o céu como testemunha e a desatenção como limite.

Tem muitos a nos dizer.

Antes de chegarmos na sala de plantão, há dois corações que merecem reflexões para que aprendamos algo sobre suas histórias e escritas. Foram desenhados por Bruna e André – ambos corações, encravados na rachadura a céu aberto.

– Ativo a memoria desse dia. Foi possível trazer as lembranças dessa feitura:

Ao chegar numa manhã para desenvolver as atividades da oficina; resolvi realizar uma atividade coletiva, colocar todos para pintar, deixar mensagens positivas e afetuosas, sendo assim, criar desenhos e frases, com isto, dar um sentido mais agradável e alegria ao ambiente, sobretudo promover um processo de interação entre os usuários mediante a esta atividade criativa e otimista.

Teve resistência de alguns, aceitação de outros. Destaco a fala do Paulista.

 “Babilak, olha, sou malando velho tá achando que sou menino para ficar fazendo corações no chão, olha pra mim…?

 Dando sequencia atividade, logo teve adesão daqueles que viam atitude com afeto e compreensão, tanto dos usuários como dos técnicos. Lembro que Leo, participou com entusiasmo, a Carolina também expos a sua graça, usando pincel e tinta.

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Mais o que chama atenção, nesta lembrança, foi a construção dos desenhos produzidos pelo André e a Bruna, que estão bem na porta que dá acesso para sala de plantão, lembro nesse dia quando pedi para a Bruna participar, ela ao inicio teve resistência, achou infantil, meio romântico, tanto quanto brega. Portanto, argumentei, que fazia parte de uma estratégia que era despertar a generosidade e a gentileza no serviço, principalmente, entre os usuários, logo ela fez a sua adesão, em seguida, conseguiu convencer o André. Lembro do André dizendo:   “boa ideia esta de desenhar corações no chão”, dizendo isto de uma forma, com uma voz metálica e embutida, quase engolindo a própria mensagem, com os óculos escuros e espelhado que escondia os olhos para o futuro.

Mas diante desses chão, antes que o céu desabe, qual é a compreensão que nos cabe? Sobre os corações desenhados sobre a rachadura do chão do Cersam?

O que podemos aprender com os corações de Bruna e André desenhados sobre o rachadura ?andre e bruna 1

Babilak Bah.

 

 

 

 

 

Babilak Bah em Uberlandia com o Som afroprogressivo.

Posted in Sem categoria on dezembro 5, 2017 by babilakbah

 

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vinhetaNo próximo sábado o artista Babilak Bah acompanhado por sua banda estará mostrando seu trabalho Afroprogressivo na cidade de Uberlandia no Projeto de Valorização da Cultura Afro-brasileira.

O festival tem inicio no dia 09/12 das 15h ás 22h, e terá diversas apresentações para fortalecimento da comunidade afro-brasileira e de suas expressões culturais.

Babilak Bah atualmente, dedica-se à montagem de uma instalação plástico/sonora intitulada: Enxadigma, tendo como pesquisa estética a enxada como signo imagético e ferramenta de exploração de sentidos e ainda elabora o livro livro: Uma Clinica de Sons Inusitados que narra sua experiência com loucura especialmente com o grupo Trem Tan Tan, numa abordagem sobre arte e loucura.vac3

Bah, já levou seu talento para vários palcos brasileiros. Em 2004 foi convidado pelo músico francês Laurent de Wide para participar de duas apresentações no ano do Brasil na França, apresentando-se no “Conexão Telemig Celular de Música”. na antiga Casa do Conde, em BH, e Sesc Pompéia – São Paulo. Apresentou-se na Festa da Música – BH em 2007, na Feira Internacional Independente de Brasília – DF 2007. Sesc Pompéia em São Paulo, Itaú Cultural/ SP. V Encontro Mundial de Centros de Ciência no Rio de Janeiro. Música Independente Bh. FIT – Festival internaconal de Teatro – 2005. Projeto PIXINGUINHA – EDIÇÃO 30 ANOS em 2008. Participou em cinco edições do Conexão Vivo de Música.

há 15 anos criou o grupo Trem Tan Tan, em 2016 produziu o DVD Sambabilolado e Outros Tan Tans.

já esteve em turnê pela Europa; pelos países França, Inglaterra e Espanha.

Cidadão instigado pela inquietude e movido por uma inquietude artística, gosta de se intitular de artista do ruído, já lançou 3 Cds, 2 livros de poemas e atualmente coordena a oficina no Cersam AD Pampulha para pessoas em uso abuso de álcool e outras drogas.

Para este show Babilak Bah vai acompanhado por um grupo de músicos talentosíssimos que faz parte de seu bando.

Ficha técnica.
grupo
Babilak Bah: percussão, voz guitarra, marimbau e enxadas
Almin Oliveira bateria e percussão
Johnny Herno herno: percussão e bateria
Leonardo Brasilino: Trombone e percussão e efeitos.
Ivan Fonsecaa: guitarra
Baixo Calvin Ferreira Delamarque
produção: Zenpretoprodução Produção
Repertório
Berimbacia
Ladrão de melodia
Kaosmo
Homemboi
Trem 10 humano
Meus ancestrais são heróis heroínas
Vou me Raoni
Artemosfera
Jesus é brother de Xangô
Zumbi Prometeu
Yanomami
URUCUMNACARA
Biografia de Homens Inquietos
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Todas as musicas são de autoria do artista.
Babilak Bah.

 

 

Na contramão, entretanto: tendo a consciência da historia.

Posted in Textos sobre cultura on novembro 4, 2017 by babilakbah

23283383_2024867927757141_1826033131_nNo final dos anos 90 escrevi um texto sobre Pedro Osmar que foi publicado no Suplemento Literário de Minas Gerais no qual, eu dizia que: Pedro é pedra dura tanto bate que perdura”. Ao ouvir o seu mais recente trabalho intitulado: Quem vem lá?. Esta certeza clariou ainda mais a minha percepção sobre o compositor paraibano e artista plural, Seo Osmar é homi de muitos mares em seu céu.

Pedro, plantou um belo registro fonográfico na cena da musica contemporânea brasileira, ao lançar um Cd duplo, com 32 faixas, visitando sua obra musical que perpassa o universo da canção, canções que já foram gravadas por interpretes ilustres, cantadas por Elba Ramalho, Xangai, Zé Ramalho e Amelinha, entre outros; musicas que soaram por rádios alternativas e festivais.

Quem vem lá?, revela a veia poética do compositor, agitador e guerreiro da cultura – comportamento ideológico muito necessário em tempos atuais – E assim, mapeia um caleidoscópio sonoro que o artista traz cravado na carne, tecido com sensibilidade e sentido múltiplo, podemos afirmar: uma cartografia do indivíduo criador com sua inscrição na pedra da cultura.

Escuto um Pedro vigoroso com batidas fortes, belas melodias que gruda como visgo, provoca movimento, o corpo dança, o espirito cidadão se revolta, e convoca em manifesto: “traga seus ossos e sua carne“. A arte é pedra, uma pedrada, Pedro é rebeldia e vai na contramão. não é um cantor é uma espécie de mensageiro cantante anunciando que a musica, a poesia do futuro vem com desalento.

Artista multifacetado de ascendência universal, traz memorias e linguagens de seu brejo, de sertões íntimos, de seu planeta subjetivo, ativo e atento aos signos de novas expressões pós-modernas e ancestral, desta forma, experimenta sua voz criativa, o artista convoca o ouvido pensante, não sendo de outra forma, o ouvinte é exigido a pensar, criticamente desamara o prazer da escuta, a partir de: cocos, aboios, frevos, maracatus, samba, chorinhos e passeia por tonalidades atonais,

Se a viola do artista, estava escondida, sua voz canta, a verdade que cantava escondida no seu interior…

Pedro é pedra de responsa, pedra menestrel da vanguarda popular.

Babilak Bah